Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Biomédica faz descoberta científica

Publicado em 29 julho 2007

A biomédica santista Juliana Monte Real, de 23 anos, ainda é jovem mas já obteve conquistas em sua carreira que qualquer profissional gostaria de ter. No preparo de sua dissertação de Mestrado, ainda em conclusão, Juliana descobriu o papel de uma proteína durante o processo de lesão pulmonar e, com esse trabalho, ela receberá um prêmio em setembro no principal congresso europeu de doenças respiratórias.

Ainda no final da graduação, no Centro Universitário Lusíada (Unilus), Juliana procurou a Fundação Antônio Prudente, do Hospital AC Camargo (antigo Hospital do Câncer), onde conclui, daqui a seis meses, o Mestrado. Foi lá onde conheceu a bióloga Adriana Abalen e o pneumologista Daniel Dahenzein, seus orientadores. ''Geralmente o laboratório de pesquisa tem uma linha de trabalho. A gente trabalha com inflamação. Eles tinham idéia de desenvolver esse projeto e eu topei''.

A parceria deu tão certo que ela enviou o trabalho que desenvolve há dois anos e meio para o 2007 European Respiratory Society Annual Congress e recebeu resposta informando que, além de ter sido escolhida para apresentação oral, a pesquisa ganhou um prêmio, dentre 4.781 trabalhos concorrentes. O evento acontece de 15 a 19 de setembro em Estocolmo, na Suécia. ''Estou muito feliz. O congresso reúne profissionais e pesquisadores de todo o mundo. O fato de estar em contato com esses profissionais engrandece o trabalho'', diz a jovem cientista. 

Ela espera ainda que os profissionais que estarão no congresso possam contribuir com a pesquisa, com dicas e opiniões. A investigação ainda não foi publicada em nenhuma revista científica. A pesquisa e o mestrado de Juliana são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


Investigação

A produção da proteína pentraxina 3 (PTX 3) ocorre nas células do tecido pulmonar quando há inflamações no órgão — uma reação do corpo à doença. A pesquisa conseguiu provar, na prática, o que antes só era suspeito, inclusive na literatura médica: a PTX 3 pode aumentar o processo inflamatório dos pulmões, quando encontrada em níveis aumentados. 

A produção da PTX 3 pode acontecer também quando o organismo é submetido à respiração artificial — aquela utilizada nos hospitais em casos de insuficiência respiratória. Isso acontece porque o procedimento promove uma agressão mecânica às células pulmonares, o que leva à inflamação. 

Um organismo que esteja com o pulmão debilitado por câncer, pneumonia ou dengue, por exemplo, produz mais a proteína PTX 3 e, se estiver submetido à respiração artificial, pode desenvolver um quadro de inflamação pulmonar ainda mais acentuado.

Por enquanto, a pesquisa foi conduzida com camundongos transgênicos — uns capazes de produzir a PTX 3 em maior quantidade e outros incapazes de produzi-la. Os animais foram submetidos à respiração artificial e os que produzem a proteína em maior quantidade levaram cerca de metade do tempo para desenvolver a lesão pulmonar que os camundongos normais.

Sobre a pesquisa em humanos, Juliana acredita que isso possa acontecer no futuro, mas, por enquanto, ela diz que ''o caso deve ser estudado um pouco mais''.