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Biólogos identificam novo inseto no interior de SP

Publicado em 31 maio 2005

Um inseto que se desenvolve nas correntezas de rios e córregos foi descoberto por biólogos da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto e da Universidade Federal de Viçosa (MG).
Exemplares da espécie foram coletados há mais de dois anos na Mata de Santa Tereza, em Ribeirão, e o trabalho, que integra o Projeto Biota-Fapesp (para descobrir novas espécies), foi concluído no final de 2004.
O nome dado ao inseto é Baetodes santatereza. Antes que fossem tiradas todas as dúvidas, o inseto era citado como "efemérida", por pertencer ao grupo Ephemeroptera. O trabalho com a descoberta será publicado por revistas especializadas em breve, diz um dos pesquisadores, o biólogo Cléber Polegatto, da USP de Ribeirão.
O Baetodes santatereza, que mede um centímetro, no máximo, tem como uma de suas características principais agüentar fortes correntezas, pois se fixa nas pedras dos rios de maneira eficaz. Achatado e comprimido, tem cor marrom escuro.
Ele se alimenta de algas e fungos da própria pedra e vive, geralmente, de um a dois meses. Após criar asas, sai da água e vive ao redor do rio, onde se reproduz, recomeçando o ciclo da espécie.
Para que essa espécie se perpetue, é necessário que exista a preservação da mata ciliar dos rios. A Mata Santa Tereza, onde foi descoberto o inseto, tem 150 hectares de mata atlântica.
É uma unidade de conservação, classificada como ecológica e é gerida pelo Instituto Florestal do Estado de São Paulo. Nessa mata já foram encontradas 120 espécies de borboletas, além de besouros, vespas, mariposas e cerca de 20 formigas e 40 aranhas.
Também foram encontrados mosquitos de importância médica, segundo Polegatto, como o da leishmaniose e o tipo "dengue da mata" (sem potencial para transmitir doenças).
"Existem pelo menos mais dois insetos na fase de conclusão da pesquisa", diz Polegatto. "Existem alguns semelhantes, mas precisamos ver se são os mesmos."
Outro estudo a ser publicado é o de um inseto do gênero do Baetodes, descoberto em Morretes (PR), mas ainda sem nome da espécie definido. Outros insetos, do mesmo grupo, mas de outras espécies, de vários locais (de vários Estados), estão sendo pesquisados.