Segundo Nunes, cerca de 116 animais foram utilizados no estudo e o número total de pisadas somou 40.480. O pesquisador afirma que havia poucas pesquisas sobre os fatores que levam as cobras peçonhentas a morderem. Os resultados obtidos no estudo foram publicados no início deste mês na revista científica Nature.
Nunes explica ainda que método permitiu refutar a suposição comum de que as jararacas mordem apenas quando são tocadas. “Eu pisei perto das cobras e também levemente em cima delas”, conta o pesquisador. “Não coloquei todo o meu peso sobre o pé, portanto não machuquei as cobras.”
Quanto menor o animal, maior a chance de ele cravar as presas em alguém, de acordo com Alves Nunes, que afirma que a fêmea da espécie também é mais agressiva que o macho, especialmente quando são jovens e durante o dia.
Outros detalhes do estudo apontam que as cobras eram mais propensas a morder quando o tempo estava mais quente. Além disso, outra chance de ser atacado era se esses animais fossem tocados na cabeça, em vez de no meio do corpo ou na cauda.
Para o pesquisador, o estudo pode ajudar a mitigar o problema das picadas de cobra no Brasil. “Com nossas novas descobertas, podemos prever onde as picadas podem ocorrer e planejar melhor a distribuição do antiveneno”, disse ele.
A jararaca é uma das principais responsáveis por acidentes com picadas no país, representando cerca de 90% dos atendimentos relacionados a serpentes peçonhentas.
Fonte: O Globo