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Biolab usa novos remédios como receita para crescer

Publicado em 19 abril 2011

Nos últimos anos, a palavra inovação tem sido repetida de forma obsessiva pela indústria farmacêutica brasileira. Se, na década anterior, os maiores laboratórios praticamente dobraram de tamanho investindo em genéricos, agora se esforçam para desenvolver produtos próprios. Nesse cenário, a Biolab sai na frente porque, segundo seu presidente técnico científico, Dante Alário Júnior, iniciou esse processo antes dos demais. E promete reforçar ainda mais a estratégia nos próximos anos: em 2012 será inaugurado o centro de pesquisa avançada em Taboão da Serra (Grande São Paulo) com 5 mil metros quadrados, onde a empresa está investindo cerca de R$ 50 milhões. O centro será muito maior do que o atual, de 1,2 mil metros quadrados, em Itapecerica da Serra. Além disso, terá uma unidade semi-industrial, que fará a ponte entre os produtos de pesquisa e a indústria. Em Taboão da Serra, funcionará, a partir de julho deste ano, a parte da Biolab dedicada à produção de medicamentos hormonais, com uma área voltada à hormônios injetáveis.

Doze novos produtos

Com cerca de 140 pesquisadores e técnicos, o centro terá a incumbência de levar adiante o desenvolvimento dos 12 novos produtos que a Biolab pretende lançar este ano — dois sob licença e dez como resultado de pesquisa própria nas especialidades de cardiologia, ginecologia, dermatologia e ortopedia. Nos planos da companhia está também o lançamento de dois medicamentos à base de novas moléculas, desenvolvidas exclusivamente pela Biolab, até o final de 2012. No total, o laboratório tem projetos de desenvolvimento de 32 produtos, sendo três no campo de inovações radicais. Há também 48 projetos destinados a melhorar as indicações e características de drogas conhecidas.

Atualmente, a Biolab está entre os quatro maiores laboratórios farmacêuticos do Brasil, com um faturamento de R$ 676 milhões em 2010. Desde a sua fundação, em 1997, a companhia optou por não trabalhar com genéricos, investindo em medicamentos sob prescrição. “A opção reforçou a estratégia de apostar em pesquisa para o desenvolvimento de fórmulas inovadoras”, diz Alário Júnior. “Somos o laboratório brasileiro que mais investe em pesquisa e inovação, com 7% do faturamento total por ano.” Esse investimento se aplica às atividades próprias mas também a parcerias com universidades e laboratórios nacionais e internacionais de onze países. Há um mês, a Biolab iniciou uma parceria pioneira na indústria farmacêutica com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para apresentação de projetos com o objetivo de gerar resultados aplicáveis no desenvolvimento de novos medicamentos. O investimento previsto é de R$ 5 milhões, divididos igualmente por três anos. Diante do interesse dos pesquisadores, a empresa até se surpreendeu. “Tenho a expectativa de obter de três a cinco bons projetos com esta parceria, além de novas plataformas tecnológicas que podem agregar às nossas pesquisas”, diz Alário Júnior. Com outros laboratórios nacionais que realizam pesquisas, a Biolab participa da criação da FarmaBrasil, associação destinada a fortalecer essa atividades, entre outras coisas, pleiteando mais apoio dos órgãos governamentais regulatórios.

Na contramão dos que apostaram em genéricos, empresa só desenvolve

Medicamentos de prescrição, de preferência com fórmulas inovadoras.

INCREMENTO

R$ 50 mi é o valor investido pela Biolab na construção do seu novo centro de pesquisa que será inaugurado em julho em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

PARCERIA

R$ 5 mi é o total previsto no acordo de cooperação entre o laboratório farmacêutico e a Fapesp para apoiar projetos em medicamentos para diversos tipos de patologia.

INVESTIMENTO

R$ 47 mi é o valor gasto pela empresa com atividades voltadas ao desenvolvimento de novos produtos em 2010, ou 7% do faturamento no ano.

INICIATIVAS

CRESCIMENTO

R$ 1,2 bi é a expectativa de faturamento líquido da empresa para 2014 com a previsão de lançamento dos novos medicamentos exclusivos.

INICIATIVAS

● Laboratório terá unidade semi-industrial destinada à adaptação de novos medicamentos à escala de comercialização.

● Os principais mercados de atuação da Biolab são medicamentos para cardiologia, ginecologia e dermatologia.

● Parceria coma alemã Merz resultou em empresa voltada à cosmética médica, cujo principal produto é uma toxina botulínica.

● Até 2010, a Biolab entrou com 164 pedidos de patentes. A empresa tem projetos de desenvolvimento de 3 moléculas

Fonte: Brasil Econômico