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Biolab recorre a Prêmio Nobel em busca de inovação em pesquisas

Publicado em 30 outubro 2012

Os executivos do laboratório farmacêutico Biolab estão acostumados a fechar parcerias com pesquisadores e instituições para o desenvolvimento de medicamentos. Tanto, que no seu site há uma área dedicada ao envio de projetos e o laboratório foi o primeiro a fechar uma parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para a escolha de pesquisas que têm potencial de se tornarem medicamentos comerciais. “A pesquisa científica pura deve ser função da academia e não da indústria”, afirmou Dante Alario, cientista chefe e sócio da Biolab.

A última parceria deste tipo feita pela Biolab, porém, teve um sabor especial. A empresa anunciou ontem (29/10) que vai aproveitar as pesquisas feitas por Ferid Murad, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 1998, para desenvolver uma droga voltada ao tratamento de doenças intestinais, como diarreia e síndrome do cólon irritável. “Esse tipo de parceria me ajuda a ver minha pesquisa se tornando algo realmente útil”, afirma Murad. “Todos os anos, a diarreia bacteriana atinge 2 bilhões de pessoas.” Estima-se que essa doença mate anualmente 1,5 milhão de crianças em países pobres, principais vítimas do mal.

Chegar a uma parceria com uma Prêmio Nobel foi um processo gradual na Biolab. Hoje, a empresa investe cerca de 10% de seu faturamento anual em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Este ano, o orçamento dessa área deve ultrapassar os R$ 75 milhões. “Há algum tempo o percentual era bem menor, mas fomos subindo gradualmente, até chegar ao mesmo nível das maiores farmacêuticas do mundo”, afirma Alario. A partir da parceria formalizada com Murad, a Biolab deve concluir as pesquisas para o novomedicamento dentro de dois anos. “Para que o produto seja comercializado, ficará faltando apenas as licenças da Anvisa”, diz Alario. Com essa aprovação, a Biolab pretende iniciar as vendas da nova droga não só no Brasil. “Hoje em dia não faz mais sentido investir o tanto que se aplica em inovação e deixar o produto restrito a um único mercado”, afirma o executivo.

A escolha pelo tratamento das doenças intestinais esteve diretamente ligado ao potencial desse mercado. Segundo Alario, as doenças infecciosas do intestino representam um mercado global de US$ 5 bilhões. “A maior parte deste dinheirovemdos tratamentos para colite, que é uma doença que atinge todas as partes do mundo, o que não deixa o setor tão dependente da venda para países pobres, onde há maior incidência de diarreia.”

(Fonte: Brasil Econômico - 30/10/2012)