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Brasil Econômico

Biolab recorre a Prêmio Nobel em busca de inovação em pesquisas

Publicado em 30 outubro 2012

Por Gabriel Ferreira

Os executivos do laboratório farmacêutico Biolab estão acostumados a fechar parcerias com pesquisadores e instituições para o desenvolvimento de medicamentos.

Tanto, que no seu site há uma área dedicada ao envio de projetos e o laboratório foi o primeiro a fechar uma parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para a escolha de pesquisas que têm potencial de se tornarem medicamentos comerciais.“ A pesquisa científica pura deve ser função da academia e não da indústria”, afirmou, ao BRASIL ECONÔMICO, Dante Alario, cientista chefe e sócio da Biolab.

A última parceria deste tipo feita pela Biolab, porém, teve um sabor especial. A empresa anunciou ontem que vai aproveitar as pesquisas feitas por Ferid Murad, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 1998 (ver texto ao lado), para desenvolver uma droga voltada ao tratamento de doenças intestinais, como diarreia e síndrome do cólon irritável. “Esse tipo de parceria me ajuda a ver minha pesquisa se tornando algo realmente útil”, afirma Murad.

“Todos os anos, a diarreia bacteriana atinge 2 bilhões de pessoas.” Estima-se que essa doença mate anualmente 1,5 milhão de crianças em países pobres, principais vítimas do mal.

Chegar a uma parceria com uma Prêmio Nobel foi um processo gradual na Biolab. Hoje, a empresa investe cerca de 10% de seu faturamento anual em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Este ano, o orçamento dessa área deve ultrapassar os R$ 75 milhões. “Há algum tempo o percentual era bem menor, mas fomos subindo gradualmente, até chegar ao mesmo nível das maiores farmacêuticas do mundo”, afirma Alario.

A partir da parceria formalizada com Murad, a Biolab deve concluir as pesquisas para o novo medicamento dentro de dois anos.

“Para que o produto seja comercializado, ficará faltando apenas as licenças da Anvisa”, diz Alario.

Com essa aprovação, a Biolab pretende iniciar as vendas da nova droga não só no Brasil. “Hoje em dia não faz mais sentido investir o tanto que se aplica em inovação e deixar o produto restrito a um único mercado”, afirma o executivo.

A escolha pelo tratamento das doenças intestinais esteve diretamente ligado ao potencial desse mercado. Segundo Alario, as doenças infecciosas do intestino representam um mercado global de US$ 5 bilhões. “A maior parte deste dinheiro vem dos tratamentos para colite, que é uma doença que atinge todas as partes do mundo, o que não deixa o setor tão dependente da venda para países pobres, onde há maior incidência de diarreia.”

Murad: trabalho aplicado em várias frentes

Desde que recebeu o Prêmio Nobel da Medicina, em 1998, por suas pesquisas envolvendo o óxido nítrico, o biomédico americano Ferid Murad se viu em uma cansativa rotina de viagens. “Viajo o tempo todo, porque tenho parceiros de pesquisa em várias partes do globo”, afirma o pesquisador.

A quantidade de viagens está ligada também à utilidade da pesquisa.

Ao receber o prêmio, Murad já sabia que o estudo poderia ter impacto em diversas áreas da saúde. Mesmo assim, era difícil imaginar que o alcance fosse tão grande. “O segredo é saber como mandar a molécula para o lugar certo do corpo da forma certa”, diz. Além do tratamento das doenças intestinais, o óxido nítrico pode ser usado para tratar problemas cardíacos - fato que garantiu o Nobel a Murad - e há pesquisas que indicam sobre seu efeito no tratamento de tumores no cérebro. “Isso ainda está em pesquisa acadêmica, mas também temos interesse em fazer as testes clínicos quando for o momento”, afirma Dante Alario, do Biolab.