Notícia

Jornal do Comércio (RS)

Bioindústrias da Amazônia estão articuladas com P&D

Publicado em 15 agosto 2008

O grande diferencial das bioindústrias de cosméticos e de fitoterápicos atuantes na Amazônia é estarem articuladas, em todas as etapas da cadeia produtiva, com as atividades de Pesquisas e Desenvolvimento (P&D) dos centros e instituições de pesquisa regional e de outras regiões do País. Essa é uma das conclusões do estudo de mestrado da geógrafa Laís Mourão Miguel, apresentada no final de 2007 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

“Os diversos problemas ligados à logística, o custo elevado de materiais (como embalagens para os produtos lá produzidos), a deficiência de recursos humanos e a dificuldade das micro e pequenas empresas de competirem com as indústrias de maior porte são alguns dos problemas que detectamos”, aponta a geógrafa. A pesquisa foi orientada pelo professor Wanderley Messias da Costa, da FFLCH, e teve como objetivo traçar um panorama geral deste segmento, abordando as experiências atuais e as perspectivas para as bioindústrias do setor.

“Embora não totalmente consolidado, o setor apresenta um grande potencial para alavancar o desenvolvimento tanto da indústria como das comunidades locais. O que falta mesmo são políticas públicas que incentivem o fortalecimento desse segmento, em especial, os pequenos produtores e as micro e pequenas indústrias”, destaca Laís. De acordo com a pesquisadora, em 2007, os gastos do Governo Federal com investimentos em Ciência e Tecnologia (C&T) na Amazônia giraram em torno de 2% a 3% do total aplicado no País. A pesquisa teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ao todo, Laís pesquisou as 12 principais bioindústrias instaladas na região amazônica Entre 2005 e 2007, a geógrafa realizou duas viagens para a região, onde permaneceu 10 dias em Manaus e 10 em Belém. “Pude constatar que as bioindústrias de cosméticos e fitoterápicos estão basicamente localizadas nessas duas Capitais e em seus entornos. Essas empresas conseguem integrar a produção rural-florestal com a industrial”, informa.

Segundo a geógrafa, o setor consegue utilizar a biodiversidade amazônica de maneira sustentável, ao contrário de outros segmentos que usam os recursos naturais de modo predatório. Os principais produtos utilizados são as frutas (açaí, camu-camu, cupuaçu e guaraná); os óleos vegetais (andiroba, babaçu, babosa, buriti, dendê, murumuru e patuá); os óleos essenciais (copaíba, pau-rosa, cipó-d'alho, sacaca); os corantes (abuta, açafrão e urucum) e as plantas medicinais (chicória, erva-de-jararaca, jaborandi, marupazinho, unha-de-gato).