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Biofilme de casca de romã dobra vida útil de morangos (58 notícias)

Publicado em 21 de janeiro de 2025

Pesquisadores do Instituto de Química da USP de São Carlos desenvolveram um biofilme comestível à base de casca de romã que prolonga a vida útil dos morangos. Em condições normais, a fruta começa a se degradar em quatro dias de refrigeração. Porém, com o revestimento, o prazo aumenta para até oito dias.

Os testes mostraram que os morangos tratados apresentam 11% menos perda de peso. Além disso, demoram mais para serem contaminados por fungos. “Com o biofilme, conseguimos dobrar a vida útil dos morangos refrigerados. Ao mesmo tempo, ele também preserva o sabor, a textura e o aroma da fruta”, explica Mirella Romanelli Vicente Bertolo, pós-doutoranda na Embrapa Instrumentação e autora principal do estudo.

Custo acessível e sustentabilidade

O custo estimado do revestimento é de R$ 0,15 por fruta, segundo análises econômicas realizadas pelos pesquisadores. “Acreditamos que os consumidores podem pagar por uma fruta que dure mais e reduza desperdícios”, avalia Bertolo.

Em resumo, os pesquisadores fazem o biofilme com um pó extraído da casca da romã, misturado a um solvente de produtos naturais. “A casca da romã contém moléculas antioxidantes, que retardam a degradação dos alimentos”, afirma o professor Stanislau Bogusz Junior, orientador do projeto.

A inovação também promove o aproveitamento de resíduos. “Cerca de 40% da romã, dependendo da variedade, é composta por casca, que normalmente é descartada. Utilizamos esse resíduo para extrair compostos fenólicos com propriedades antioxidantes e antimicrobianas”, detalha Bogusz.

Fórmula com tecnologia avançada

Os pesquisadores adicionaram quitosana, substância derivada de crustáceos, e gelatina ao biofilme, criando uma película protetora. Em geral, o processo de aplicação é simples: basta mergulhar os morangos na solução.

O grupo já solicitou o depósito de patente para a formulação e pretende licenciar a tecnologia para empresas interessadas.

O estudo, desenvolvido com apoio da FAPESP, é fruto de uma parceria entre a USP, a Embrapa Instrumentação e a UFSCar. A revista Food Chemistry publicou os resultados da pesquisa.

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