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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Bioetanol precisa de políticas públicas para sobreviver, dizem pioneiros do Proálcool

Publicado em 18 junho 2012

O Brasil precisa criar políticas públicas para assegurar a continuidade do programa de bioetanol brasileiro e evitar ou minimizar as sucessivas crises pelas quais tem passado desde que foi criado na década de 1970, sob a a forma do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), para enfrentar os choques de preço do petróleo.


A avaliação, descrita em nota divulgada pela Agência Fapesp, foi feita por representantes do governo, de instituições de pesquisa e das indústrias sucroalcooleira e automotiva, que participaram diretamente dos processos de planejamento, implantação e construção do Proálcool, durante o seminário “O renascimento do bioetanol brasileiro: os fundadores do Proálcool”, realizado pelo Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) em 4 de junho.

Na opinião de participantes do evento, de todas as crises pelas quais o programa de bioetanol brasileiro passou ao longo das últimas décadas, a que está vivendo hoje – caracterizada pela estagnação da produção do álcool no País e o elevado endividamento de diversas usinas – é a mais grave. Isso porque depende de uma intervenção do governo para ser solucionada, enquanto as crises anteriores foram, de acordo com os participantes do evento, sanadas por meio de soluções tecnológicas.


“A crise atual é a mais séria, porque depende de políticas públicas para corrigir a distorção do preço da gasolina, que está congelado, enquanto os custos de produção do álcool e da cana dobraram nos últimos oito anos”, disse Maurílio Biagi Filho, pertencente a uma tradicional família de usineiros do país e um dos primeiros signatários do Proálcool.


A opinião de Biagi Filho foi compartilhada por Cícero Junqueira Franco, fundador da Usina Vale do Rosário e um dos idealizadores do Proálcool juntamente com o engenheiro Lamartine Navarro Júnior (1932-2001).


“É preciso iniciar uma prática de política pública para o álcool. Até hoje estamos patinando nesse quesito, o que gera insegurança tanto para os produtores de álcool como para os consumidores”, avaliou Franco.

 

As experiências dos fundadores do Proálcool estão sendo registradas e reunidas por pesquisadores do IEE da USP em um projeto coordenado pelo professor Ildo Luís Sauer.