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Correio Popular

Bioespuma testada na Unicamp substitui isopor

Publicado em 01 março 2000

Por GLAUCE FLEURY - glauce@cpopular.com.br
Uma parceria entre a empresa Kehl Polímeros, de São Carlos (SP), e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai colocar no mercado a Bioespuma, produto que substitui o isopor em embalagens para eletroeletrônicos e substratos para o crescimento de mudas e sementes, devido à existência de vários tipos de espuma. Em 60 dias, 20 toneladas mensais serão fabricadas na unidade em São Carlos. "A idéia era obter um produto que resolvesse o problema ambiental e pudesse ser usado em larga escala", explica Ricardo Vicino, assessor técnico do Escritório de Difusão e Serviços Tecnológicos (Edistec) da Unicamp. A grande vantagem da bioespuma de poliuretano é que se decompõe entre dois e três anos. A Espuma de Poliuretano Expandido (EPS) - nome técnico do produto conhecido como isopor - só desaparece depois de 500 anos. De acordo com o assessor técnico, a bioespuma "será colocada no mercado, inicialmente com preços um pouco mais elevados que os similares - originados do petróleo. 'Mas esses valores serão equivalentes com o aumento da produção", garante. Dois terços do produto serão utilizados para aplicação na agricultura e o restante, em embalagens. Desde 94, a Kehl vem desenvolvendo uma pesquisa para obter polímeros (compostos químicos) de produtos naturais. Um desses produtos é a bioespuma de poliuretano, um tipo de polímero. Nos últimos dois anos, os testes finais foram realizados no Centro Pluridisciplinares de pesquisas Químicas, Biológicas e Agronômicas (CPQBA) da Unicamp e na Faculdade de Engenharia Agrícola. Com investimento de R$ 1,2 milhão em cinco anos de pesquisa, a Kehl Polímeros já patenteou a Bioespuma. O estudo também recebeu uma contribuição de R$ 50 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "É um produto ecologicamente correto", acredita Vicino, referindo-se ao baixo custo energético, à utilização de equipamentos nacionais também de baixo custo e à não-geração de resíduos. Depois das 20 toneladas mensais de bioespuma produzida, a meta é ampliar para 100 toneladas ainda no segundo semestre deste ano. De acordo com o assessor técnico do Edistec, em 2001 a produção deve aumentar para 1.000 toneladas mensais. Embora tenha a patente, a Kehl deve licenciar a exploração da criação para outra empresa. "O foco dela é pesquisa e desenvolvimento", explica. De acordo com a assessoria de imprensa da Unicamp, reciclar o poliuretano expandido é impossível devido à sua baixa densidade, o que exigiria a coleta de uma quantidade descomunal do material para reaproveitá-lo a custo inviável. O EPS é fabricado com derivados de petróleo e, devido à molécula muito estável, não sofre ataques de microorganismos. Já a Bioespuma é produzida com matérias-primas de fontes renováveis, que a tornam biodegradável. Na composição da Bioespuma, há 70% de materiais vegetais, como cana-de-açúcar, amido de milho e óleos de soja e de mamona. TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO Papel - 5 a 10 anos Metais - 50 anos Alumínio - 100 anos Plástico - 300 a 400 anos Isopor - 500 anos Vidro - 4.000 a 5.000 anos