Notícia

Revista RPANews

Bioenergia: campo de pesquisa e emprego é mais bem remunerado e qualificado

Publicado em 15 maio 2019

Por André Julião  |  Agência FAPESP

Com os dias contatos, por conta dos acordos climáticos firmados nos últimos anos, o ciclo de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis tem como alternativa as energéticas renováveis.

De acordo com especialistas participantes do terceiro episódio do programa Ciência Aberta em 2019, lançado nesta quarta-feira (15/05), essas alternativas abrem um novo campo de pesquisa e de emprego mais bem remunerado e qualificado para as futuras gerações. O programa é uma parceria da FAPESP com o jornal Folha de S. Paulo.

Segundo os pesquisadores, a bioenergia é mais democrática do que as fontes tradicionais. "Ela não pode ser gerada de forma tão centralizada como uma refinaria de petróleo ou uma central nuclear. A bioenergia pressupõe uma distribuição maior [dos empregos e recursos]", disse Luiz Augusto Horta Nogueira, pesquisador associado do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp) e consultor de agências das Nações Unidas.

Rubens Maciel Filho, professor da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), destacou que a produção de cana-de-açúcar para fabricação de etanol levou ciência e tecnologia para o interior do Estado de São Paulo, inclusive para regiões onde nem sequer havia estrutura para produzir alimentos.

Com unidades na Unicamp, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e no Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), o centro tem apoio da FAPESP e da Shell, no âmbito do programa Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE).

Melhor opção

Com a demanda por energia aumentando no mundo todo, fontes renováveis como a cana-de-açúcar, a energia solar e a eólica são apontadas pelos especialistas como algumas das melhores alternativas.

Respondendo por 18% da nossa matriz, a cana-de-açúcar tem ainda a vantagem de ser muito produtiva, ocupando apenas 1% das terras disponíveis para agricultura no Brasil. Ainda assim, só metade desse porcentual é usado para plantar cana para produção de biocombustível. A outra parte é destinada à produção de açúcar.