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Bioen discute metabolômica

Publicado em 01 fevereiro 2010

A utilização da metabolômica - o estudo genético sistemático do metabolismo de organismos e processos celulares - nas pesquisas e produtividade da cana-de-açúcar foi o objeto de discussão do Workshop Bioen sobre Metabolômica da Cana-de-Açúcar, que aconteceu na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo [Fapesp] e reuniu pesquisadores de diversos países.

A metabolomica é uma área recente da genômica e atua na determinação de funções de genes a partir da análise de um grande volume de dados sobre o metabolismo de diferentes organismos. O uso da metabolômica no estudo da cana é complementar à proteômica, que estuda as proteínas codificadas para produção de sacarose e de outros compostos, e da transcriptômica, que dá informações sobre a expressão de genes da planta, explicou o coordenador do workshop, professor Carlos Labate, do Departamento de Genética da USP-Esalq.

O trabalho em metabolomica da cana-de-açúcar é enorme e está apenas no começo, como destacou Vanderlan da Silva Bolzani, do Núcleo de Bioensaios, Biossíntese e Ecofisiologia da Universidade Estadual Paulista, pois há poucas informações científicas a respeito e nenhuma metodologia de pesquisa foi estabelecida. Nosso primeiro objetivo é criar uma metodologia robusta e reproduzível de análise, disse.

Entre as aplicações práticas da pesquisa na área estão a identificação de substâncias que possam gerar resistência às doenças e pragas mais comuns dos canaviais, como a broca-da-cana-de açúcar, causada por uma mariposa, e os fungos conhecidos como carvão e ferrugem.

A metabolomica utiliza técnicas de espectrometria de massas e ressonância magnética para determinar a presença e a estrutura de produtos do metabolismo da planta - açúcares, ácidos orgânicos e outros compostos - em tecidos de diferentes variedades de cana e estabelecer as rotas metabólicas para produção dessas substâncias. E o conhecimento sobre a regulação de um conjunto dessas rotas metabólicas permite a identificação dos genes que codificam proteínas associadas a esses compostos.

Marcelo Ehlers Loureiro, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Viçosa, mostrou como a metabolomica pode ajudar na produção da nova geração do etanol. Loureiro se dedica ao estudo da lignina, um componente da parede celular e um dos maiores limitadores do processo de conversão do bagaço da cana em álcool.

Staffan Persson, do Instituto Max Planck de Fisiologia Molecular de Plantas, apresentou estudos de redes genéticas que, aplicadas em cinco espécies diferentes de plantas, identificaram os genes que se repetiam em todas elas. Um importante desafio para a área está no desenvolvimento de algoritmos voltados à comparação gênica, destacou.

Mas além das aplicações no estudo de plantas, a metabolomica também se aplica à área da saúde, como na obtenção de diferenciações mais precisas entre amostras de sangue de portadores e de não portadores de diabetes.