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Bioeconomia precisa de biomarketing

Publicado em 18 setembro 2018

Por José Luiz Tejon

Em 2012, a União Europeia criou diretrizes para promover a bioeconomia. Na América Latina, há imensa reserva de biomassa, e o Brasil é produtor de biocombustível. Há fartura na biodiversidade brasileira com potencial para o empreendedorismo e cooperativismo em fitoterápicos, cosméticos, essências e frutas tropicais. No mesmo caminho, temos segmentos ascendentes de agroecológicos e startups de agricultura digital de baixo carbono, como a integração Lavoura, Pecuária e Floresta. No setor industrial, há oportunidades em biomassa para biocombustíveis, química verde e bioprodutos, entre outros.

Na saúde humana, muitos biofármacos, que hoje importamos, se desenvolverão no Brasil nos setores da terapêutica, farmacogenômica e nutracêutica a partir de pesquisas. A bioeconomia significa polo de atração para empreendedores do campo e da cidade. Os urban farmers ou os farmers designers vêm aí.

As vantagens de utilizar recursos biológicos já podem ser percebidas nos centros de pesquisa e inovação, como na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e no Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Existem impactos em diversos segmentos de mercado, como alimentos, energia, saúde, farmacêutica e indústria química. Tudo isso exigirá administração de fatores que envolvem o conhecimento de marketing e do bom e ético biomarketing.

O uso desses insumos oferecerá novos empregos e permitirá qualidade de vida para muitas pessoas, se bem organizadas em associações e cooperativas. Sem dúvida, a bioeconomia promove o desenvolvimento econômico sustentável.

Para que possamos gerar riquezas e distribuição de renda, além de promover a saúde humana e do ambiente a partir da bioeconomia, precisamos chamar a sociedade civil organizada. Recursos humanos, infraestrutura de pesquisa, proteção aos direitos de propriedade intelectual e segurança jurídica nas relações são contratos que precisam ser acordados entre os agentes envolvidos.

A Fundação Getulio Vargas de São Paulo, por meio da FGV Projetos, sugere a criação de um conselho nacional com atribuições institucionais para coordenar, gerenciar e liderar a bioeconomia.

A bioeconomia serve como amálgama do campo e cidade, transformando-os em uma coisa só. Cabe à sociedade civil reunida cooperar, realizar e expandir os limites dessa riqueza para todos.