Notícia

Correio Popular

Bioeconomia no âmbito da RMC

Publicado em 28 julho 2017

Por Adilson Roberto Gonçalves

A iniciativa do Correio Popular em sediar e organizar o Fórum RAC 2017 sobre energia renovável merece elogios, cujos principais resultados e discussões foram publicados como caderno especial em 20/7. À parte de eventual capitalização política, a área compõe a bioeconomia e é estratégica para o desenvolvimento do Interior paulista, ainda mais quando questões referentes à ocupação do espaço urbano levam como única resposta a especulação imobiliária para o favorecimento de grupos pequenos. A bioeconomia pode atuar como o Sputnik da região, um projeto que mobilize vários setores sociais e econômicos para atingir um bem maior quanto ao desenvolvimento humano e sustentabilidade ambiental.

O caderno especial com os principais assuntos discutidos no fórum torna-se material de consulta obrigatória para o acompanhamento e entendimento dessas ações.

Embora o termo “geração de energia” não seja cientificamente apropriado, está sempre relacionado à transformação de energia. A origem é principalmente solar (luz e calor) que gera ventos, e também pode ser convertida em energia química pela fotossíntese e, a partir daí, em outras formas, como a energia elétrica e a energia mecânica. Assim, estocar vento é possível sim, ainda que metaforicamente, na forma da energia mecânica acumulada como energia elétrica.

Menos de 10 anos atrás, a geração de energia fotovoltaica tinha custos proibitivos e o estímulo oficial era quase exclusivo para as poluidoras termelétricas. Se não fosse o empenho no desenvolvimento de ciência, tecnologia e inovação, essa barreira não teria sido superada. É insuficiente a iniciativa econômica, pois o investidor quer alguma segurança que somente é obtida por meio do conhecimento e da pesquisa, que demandam aporte de recursos materiais e de pessoal qualificado. Parece chover no molhado, mas sem educação e formação de técnicos e engenheiros capacitados, pouco ou nenhum avanço nesse setor teria sido alcançado.

A regulação às claras é importante, pois são comuns desvios para atender a interesses duvidosos. Por exemplo, no Vale do Paraíba, a presença das Serras da Mantiqueira e do Mar foi omitida dos programas de simulação para “criar” um inexistente vento que propiciaria a dispersão dos poluentes de uma termelétrica que lá seria instalada. E isso foi aprovado pela Cetesb – o órgão ambiental paulista – na época.

As Universidades Públicas Paulistas têm papel importante, tanto na formação dos profissionais que atuarão nessas áreas estratégicas, como na pesquisa científica e tecnológica. A Unesp criou o Instituto de Pesquisa em Bioenergia com foco na biomassa e em outras energias renováveis. Junto com USP e Unicamp coordena o Programa Integrado de Pós- Graduação em Bioenergia, de característica internacional, ministrado em inglês, no nível do doutorado. São oito laboratórios associados, espalhados por todo o Estado de São Paulo, como é a natureza da Unesp, coordenados pelo Laboratório Central em Rio Claro.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) promoverá um encontro no próximo dia 3 de agosto sobre políticas públicas para o desenvolvimento da bioeconomia, com palestras, apresentações e mesas redondas com representantes que estiveram no Fórum RAC, evidenciando a atualidade e pertinência da ação.

Adilson Roberto Gonçalves é doutor em química pela Unicamp, livre-docente pela USP e pesquisador da Unesp em Rio Claro