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Mikami Environmental Blog

BIODIVERSITY / BIODIVERSIDADE (461)

Publicado em 01 agosto 2019

Increased deforestation in the Amazon is unquestionable, says Carlos Nobre

* Carlos Nobre is one of the most relevant Brazilian scientists.

In the coming days will be released data of monitoring of a full year, obtained by Inpe, which should confirm the finding, said the researcher in lecture at the 71st Annual Meeting of SBPC

A target of recent questioning, the increase in deforestation in the Amazon in recent months, compared to 2018, is unquestionable. The increase was pointed to by the Deter satellite monitoring system of the National Institute for Space Research (Inpe), and is expected to be confirmed before December with the release of data obtained over a full year by the institution's other monitoring system, Prodes.

In the coming days Deter data will be released for the period from August 2018 to July 2019. Between October and November, Prodes data will be released for the same period, which are used for Deter verification. Prodes uses data from the Landsat satellite - a system that has been in existence since 1989 - and presents consolidated data on total deforestation only once a year.

The statement was made by Carlos Nobre, researcher at the Institute of Advanced Studies at the University of São Paulo (IEA-USP), during a lecture at the 71st Annual Meeting of the Brazilian Society for the Progress of Science (SBPC), held July 21-27. at the Federal University of Mato Grosso do Sul (UFMS), in Campo Grande.

“The numbers in the Prodes annual series, which runs from August 2018 to July 2019, should confirm what data from recent months have shown: that deforestation in the Amazon over the past 12 months was much higher than in the previous period. ”Said Noble, who is a retired researcher at Inpe.

"We have to assume that there is actually an increase in deforestation in the Amazon," he said. According to him, the questioning of data about deforestation of the Amazon Forest in the last three months indicated by Deter is unfounded. This is because the system's margin of uncertainty ranges from 10% to 12%.

The system found that deforestation in the Amazon in square kilometers (km²) increased in May, June and the first 20 days of July, respectively, 34%, 91% and 125% compared to the same months in 2018.

“These increase percentages are way beyond the margin of uncertainty. The likelihood that Amazon deforestation is increasing is above 99%, ”said Nobre.

Data from Deter has been available since Inpe's system launch in 2004. Prodes - which was the first deforestation monitoring system in the Amazon created by the agency in 1989 - were embargoed at the beginning and only became available in 2002.

“This public data has enabled a huge understanding of the causes of deforestation and has provided the most successful combat policies for many years,” said Nobre.

The eventual embargo on the deforestation figures obtained by Deter and Prodes or the discontinuation of these two systems would cause enormous damage to the country and make Inpe lose the leading role in the development of forest monitoring systems, he said.

“Failure to disclose Inpe deforestation data would not make the problem go away, because today there are many groups around the world that do this mapping. But INPE, which has developed the best rainforest monitoring system in the world over the last 30 years, would lose its leadership, ”said Nobre.

According to the researcher, Brazil, through Inpe, was the first country in the world to do this kind of satellite forest monitoring. The systems developed by the institute have helped empower researchers from 60 countries and many tropical countries use the algorithms created at the institute.

While monitoring systems developed by other institutions around the world, based on big data and automated artificial intelligence algorithms, today have a margin of error of over 20 percent, Prodes's is 5 to 6 percent, Nobre said. "This represents a huge improvement in this monitoring system, which is the result of 30 years of scientific advancement," he said.

Data Confidence

At a news conference on July 26 at the SBPC meeting, Minister of Science, Technology, Innovations and Communications, Marcos Pontes, said: “There is no doubt that the data produced by Deter is correct and reliable, but was used for the wrong purpose ”.

“Deter's data is not for deforestation measurement, but for deforestation alert, to assist Ibama in enforcement actions. It would be wrong to use them to indicate deforestation, ”Pontes told FAPESP. “Prodes data is meant to measure deforestation, but it takes a while to compile.”

The minister stressed that Inpe is a reputable institution, whose work is internationally recognized, and will continue to perform its functions as it always has. "The fact that we ask about the variation of a data is normal is already happened before," he said.

TerraBrasilis portal is a web platform developed by Inpe for access, consultation, analysis and dissemination of geographic data generated by the institute's native vegetation monitoring projects, such as Prodes and Deter: http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/.

(Until the next Thursday, August 8, 2019)

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BIODIVERSIDADE (461)

Aumento do desmatamento na Amazônia é incontestável, diz Carlos Nobre

*Carlos Nobre é um dos mais relevantes cientistas brasileiros

Nos próximos dias serão divulgados dados do monitoramento de um ano completo, obtidos pelo Inpe, que deverão confirmar a constatação, disse o pesquisador em palestra na 71ª Reunião Anual da SBPC

Alvo de recente questionamento, o aumento no desmatamento na Amazônia nos últimos meses, em comparação com 2018, é incontestável. O aumento foi apontado pelo sistema de monitoramento por satélites Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e deverá ser confirmado antes de dezembro com o lançamento dos dados obtidos durante um ano completo por outro sistema de monitoramento da instituição, o Prodes.

Nos próximos dias deverão ser divulgados os dados do Deter para o período de agosto de 2018 a julho de 2019. Entre outubro e novembro, sairão os dados do Prodes para o mesmo período, que são utilizados para verificação do Deter. O Prodes usa dados do satélite Landsat – sistema que existe desde 1989 – e apresenta os dados consolidados sobre o desmatamento total apenas uma vez por ano.

A afirmação foi feita por Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), durante palestra na 71ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada de 21 a 27 de julho na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande.

“Os números da série anual do Prodes, que compreende o período de agosto de 2018 a julho de 2019, devem confirmar o que os dados dos últimos meses mostraram: que o desmatamento da Amazônia nos últimos 12 meses foi muito maior do que no período anterior”, disse Nobre, que é pesquisador aposentado do Inpe.

“Temos que partir do princípio de que está realmente ocorrendo um aumento do desmatamento na Amazônia”, disse. Segundo ele, o questionamento dos dados sobre o desmatamento da Floresta Amazônica nos últimos três meses indicados pelo Deter é infundado. Isso porque a margem de incerteza do sistema varia de 10% a 12%.

O sistema apontou que o desmatamento na Amazônia em quilômetros quadrados (km²) aumentou nos meses de maio, junho e nos primeiros 20 dias de julho, respectivamente, 34%, 91% e 125% em relação aos mesmos meses em 2018.

“Esses percentuais de aumento estão muito além da margem de incerteza. A probabilidade de que o desmatamento da Amazônia está aumentando está acima de 99%”, disse Nobre.

Os dados do Deter são disponibilizados desde o lançamento do sistema, em 2004, pelo Inpe. Já os do Prodes – que foi o primeiro sistema de monitoramento de desmatamento na Amazônia criado pelo órgão em 1989 – ficaram embargados no início e só passaram a ser disponibilizados em 2002.

“Esses dados públicos permitiram um enorme entendimento das causas do desmatamento e municiaram as políticas de combate que tiveram grande sucesso durante vários anos”, disse Nobre.

O eventual embargo dos números de desmatamento obtidos pelo Deter e o Prodes ou a descontinuação desses dois sistemas causariam enormes prejuízos para o país e fariam o Inpe perder o protagonismo mundial no desenvolvimento de sistemas de monitoramento florestal, afirmou.

“Não divulgar os dados do desmatamento do Inpe não faria o problema desaparecer, porque hoje há muitos grupos em todo o mundo que fazem esse tipo de mapeamento. Mas o Inpe, que desenvolveu o melhor sistema de monitoramento de florestas tropicais do mundo ao longo dos últimos 30 anos, perderia sua liderança”, disse Nobre.

De acordo com o pesquisador, o Brasil, por intermédio do Inpe, foi o primeiro país do mundo a fazer esse tipo de monitoramento florestal por satélite. Os sistemas desenvolvidos pelo instituto ajudaram a capacitar pesquisadores de 60 países e muitos países tropicais usam os algoritmos criados na instituição.

Enquanto os sistemas de monitoramento desenvolvidos por outras instituições no mundo, baseados em big data e algoritmos automáticos de inteligência artificial, apresentam hoje uma margem de erro acima de 20%, a do Prodes é de 5 a 6%, comparou Nobre. “Isso representa um enorme aperfeiçoamento desse sistema de monitoramento, que é resultado de 30 anos de avanço científico”, disse.

Confiança nos dados

Em coletiva de imprensa no dia 26 de julho, na reunião da SBPC, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, disse que “não tem dúvidas de que os dados produzidos pelo Deter estão corretos e são confiáveis, mas foram usados com o objetivo incorreto”.

“Os dados do Deter não são para medição do desmatamento, mas para alerta de desmatamento, para auxiliar o Ibama nas ações de fiscalização. Seria errado utilizá-los para indicar desmatamento”, disse Pontes à Agência FAPESP. “Os dados do Prodes é que têm a finalidade de medir desmatamento, mas demoram um certo tempo para ser compilados."

O ministro destacou que o Inpe é uma instituição conceituada, cujo trabalho é reconhecido internacionalmente, e que continuará a desempenhar suas funções como sempre fez. “O fato de perguntarmos sobre a variação de um dado é normal é já aconteceu anteriormente”, disse.

O portal TerraBrasilis é uma plataforma web desenvolvida pelo Inpe para acesso, consulta, análise e disseminação de dados geográficos gerados pelos projetos de monitoramento da vegetação nativa do instituto, como o Prodes e o Deter: http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/.