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Biodiversidade e Biotecnologia, parte II, artigo de Roberto Naime

Publicado em 06 março 2016

[EcoDebate] O projeto, já mencionado em manifestos precedentes, denominado “BIOTA-FAPESP” contribuiu substancialmente para a melhoria do conhecimento básico de ciência dos estudantes brasileiros, criando uma mentalidade sobre a importância da ciência para o Brasil e motivando a cidadania a olhar o conhecimento científico como um instrumento maravilhoso para desvendar os segredos do mundo, e não como uma obrigação curricular (JOLY et al., 2008).

RACANICCHI et. al. (2014) asseveram que numa área de 8,5 milhões de km², o Brasil tem 55 mil espécies de plantas, 524 espécies de mamíferos, 517 espécies de anfíbios, 1622 espécies de pássaros, 468 espécies de répteis e 3000 espécies de peixes (MMA, Relatório Nacional sobre a biodiversidade, 1998).

Cientistas brasileiros anunciaram a descoberta de 15 novas espécies de aves na Amazônia, sendo 11 endêmicas do Brasil. Foi a maior descoberta da ornitologia brasileira em 140 anos. As novas descobertas representam 1% na biodiversidade nacional de aves.

De acordo com matéria publicada no site da FAPESP, o Dr. Roberto Berlinck enfatizou, que a pesquisa em biotecnologia e biodiversidade cresce no Brasil desde o fim dos anos 90, mas hoje é preciso novas abordagens para investigar questões locais e gerar ciência e tecnologia.

Existem muitos dados de pesquisas armazenados, muita informação, mas as pessoas não têm acesso, como ressalta o professor Dr. Miragaia “Na área da Biologia, por exemplo, são muitos trabalhos sobre Manguezais, a maioria relatórios que não estão publicados por falta de interesse do pesquisador. Dados foram coletados para teses e dissertações e não havia cobrança para publicação nas universidades”.

De acordo com o jornal SCImago Journal & Country Rank, o Japão publicou cerca de 2.500 artigos por ano entre 1996 e 2011 e o Brasil pouco mais de 400 artigos no mesmo período. (SCIMAGO JOURNAL & C. R., 2013)

Hoje, apenas 2% da produção de artigos científicos de todo o planeta são do Brasil, apesar de estarmos entre as 10 maiores economias. Existe ausência de incentivo e de recursos para a pesquisa no Brasil.

O Brasil pode crescer em tecnologia ampliando os índices de parceria com o setor privado e os intercâmbios com grandes grupos de pesquisa de outros países considerados como referência nas áreas de Tecnologia, como ocorre com aMassachusetts Institute of Technology (MIT).

Laboratórios multinacionais têm investido nos últimos anos, de maneira velada, grandes montantes financeiros para o desenvolvimento de estudos com produtos naturais e tais recursos servem como grande fonte para obtenção de novas moléculas com potencial farmacológico, tornando-se deste modo uma importante biblioteca para o surgimento de novos tratamentos no futuro.

RACANICCHI et. al. (2014) detecta que estudos da Consultoria IMS Health indicam que no ano de 2015 a venda de Fitoterápicos no mundo deverá girar em torno de 110 milhões de reais, tendo como suposição que o Brasil esteja na sexta colocação em relação ao consumo mundial.

Estes dados fazem com que os grandes laboratórios multinacionais vejam o mercado de produtos naturais, especialmente os fitoterápicos, com grande potencial financeiro.

Esta empresa faz auditorias sobre o consumo e venda de medicamentos em todo o mundo. “Os dados são utilizados pelas indústrias farmacêuticas, para a elaboração de projetos. Que sejam viáveis, de acordo com as vendas registradas, em determinado país ou região” (IMS Health, 2013). O percentual de pesquisas brasileiras que geram produtos e tecnologias aplicadas, no entanto, ainda é pequeno.

BEGON, Michael, TOWSEND, Colin R., HARPER, John L. “Ecologia” – De indivíduos a Ecossistemas. 4ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. p.633

BRASIL. Lei 11.105 de 24 de março de 2005. Cria o Conselho Nacional de Biossegurança, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança . Disponível em: http://www.ctnbio.gov.br/index.php/content/view/11992.html., acesso em 25 de Setembro de 2013.

BRASIL. MMA (Ministério do Meio Ambiente), Relatório Nacional sobre a Biodiversidade, 1998. http://www.mma.gov.br/estruturas/chm/_arquivos/cap2a.pdf, acesso em 02.09..2013 FAPESP. Fundação e Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. www.fapesp.br, acesso em 15.08.2013

IMS Health, Consultoria. Empresa de auditorias sobre o consumo e venda de medicamentos do mundo. Disponível emhttp://www.imshealth.com/portal/site/imshealth), acesso em 04.10.2013

JOLY, C. A. e BICUDO, C. E. M. Biodiversidade do Estado de São Paulo, Brasil: síntese do conhecimento ao final do século XX – vol.7. Infra- estrutura para conservação da biodiversidade. 1.ed. São Paulo.FAPESP, 1999. v.1. 150 p.

JOLY, C. A. et al. Diretrizes para a conservação e restauração da biodiversidade no estado de São Paulo. 1.ed. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente & Programa BIOTA, 2008. V1. 245p.

MILLER, G. Tyler Jr. “Ciência Ambiental”. São Paulo: Editora Thomson Learning. 2007 p.476 PORTUGAL. Portal da Escola Superior Agrária. Instituto Politécnico de Viana do Castelo.http://portal.ipvc.pt/portal/page/portal/esa/esa_noticias_agenda/2011/esa_biotecnologia_motiv a_publicacao, acesso em 27.09.2013

RODRIGUES, Ana Cristina e FERRAZ Ana Isabel. Biotecnologia, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. e-book ed. Porto: Editora Publindustria. 2011. 282p.

SCIMAGO JOURNAL & COUNTRY RANK – Portal com indicadores para avaliar e analisar domínios científicos. Disponível em http://www.scimagojr.com , acesso em 22.09.2013

RACANICCHI, Wanda Schumann, BASTOS, Robson e GIORDANO, Fabio Um diagnóstico crítico de especialistas sobre biodiversidade e biotecnologia no Brasil UNISANTA BioScience – p. 33 – 38; Vol. 3 nº 1, 2014

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.