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Biodiversidade brasileira é tema de exposição em Beijing

Publicado em 17 abril 2014

Para mostrar ao público chinês um pouco dos estudos realizados sobre a flora brasileira em diferentes épocas, contextualizando informações históricas com dados atuais, foi aberta em Beijing na terça-feira (15/04) a exposição Brazilian Nature - Mistery and Destiny, na Biblioteca da Peking University (PKU, na sigla em inglês).

 

Instalada em um amplo salão na biblioteca da PKU - considerada a maior da Ásia, com um acervo que ultrapassa 8 milhões de livros -, a mostra é parte da programação do Simpósio Brasil-China para Colaboração Científica - FAPESP Week Beijing, que ocorre até o dia 18 de abril no Yingjie Exchange Center, no campus da universidade.

 

A exposição retrata momentos distintos em que foram registrados e estudados diferentes biomas brasileiros, como Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia e Caatinga.

 

Composta por 37 painéis, a exposição resgata o trabalho de pesquisa realizado entre 1817 e 1820 pelo naturalista alemão Carl Friedrich Philipp von Martius, que percorreu diferentes regiões do Brasil e foi responsável pelo maior levantamento já realizado sobre a flora brasileira - a obra-referência Flora brasiliensis -, publicado em etapas entre 1840 e 1906.

 

Na exposição podem ser vistas reproduções de desenhos feitos no século 19 pelo próprio Von Martius e outros naturalistas, com textos explicativos e fotografias atuais de plantas e biomas.

 

Os dados iconográficos ajudam a entender questões relacionadas à megadiversidade biológica do Brasil, país que, sozinho, concentra entre 15% e 20% da biodiversidade do planeta. O papel das pesquisas para a preservação dos biomas também faz parte do contexto da exposição.

 

Concebida com base em dados provenientes de projetos apoiados pela FAPESP, a exposição é resultado de uma parceria entre a FAPESP e o Museu Botânico de Berlim.

 

Entre as dezenas de imagens estão algumas feitas durante pesquisas realizadas no âmbito do projeto Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo e do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP).

 

Conhecimento compartilhado

Durante a abertura da exposição em Beijing, o presidente da FAPESP, Celso Lafer, destacou que o conhecimento científico resultante das pesquisas retratadas na exposição é indispensável para o futuro do planeta.

 

"Esta exposição nos dá a oportunidade de colocar, lado a lado, o passado, o presente e o futuro das pesquisas envolvendo a natureza do Brasil, permitindo o contato com uma experiência vivida no século 19 e a comparação daquelas imagens com fotografias atuais de plantas e biomas."

 

Para ele, isso explicita o papel fundamental das pesquisas realizadas nos últimos anos para a preservação das espécies animais e vegetais, não apenas no Brasil, mas em outros países também, incluindo a China.

 

O vice-presidente da PKU, Li Yansong, destacou durante a abertura da mostra a prioridade da universidade chinesa em promover programas de pesquisa colaborativa com o Brasil em diferentes áreas. "É uma grande honra receber essa exposição como parte da FAPESP Week Beijing, o que mostra que Brasil e China estão se aproximando não apenas em termos econômicos, mas também nas áreas de pesquisa científica e tecnológica."

 

Para ele, a exposição promove um maior conhecimento sobre a biodiversidade do Brasil, que, como a China, é rico em recursos naturais. "Cada imagem funciona como uma janela para a biodiversidade e para as pesquisas brasileiras. Acredito que a colaboração com a FAPESP deverá abrir possibilidades para estudos conjuntos entre cientistas chineses e brasileiros nessa e em outras áreas", afirmou.

 

Brasil na China

O diretor do Núcleo de Cultura Brasileira da Peking University, Hu Xudong, disse que o momento é propício para a aproximação entre os dois países. Segundo ele, o interesse pelo Brasil na China cresce muito rapidamente, não apenas em termos científicos, mas também culturais.

 

"Em 2003, havia nas universidades chinesas apenas cinco cursos de língua portuguesa. Hoje, já existem cursos de graduação em língua portuguesa em 20 universidades", afirmou.

 

Para ele, a exposição na PKU deve contribuir para que alunos e professores da universidade discutam as experiências brasileiras em conservação ambiental, algo que considera importante para os desafios ambientais enfrentados pela China.

 

"A universidade de Peking tem tradição em estudos sobre biodiversidade, com o mais antigo departamento de Biologia do país, sendo responsável também pela formação de especialistas em preservação de vida animal", disse o professor à Agência FAPESP, lembrando que o campus da PKU inclui remanescentes preservados da vegetação original de Beijing.

 

A exposição que chega agora à China já passou por 17 cidades em seis países: Berlim, Bremen, Leipizig, Heidelberg, Eichstätt e Erlangen (Alemanha), Toronto (Canadá), Washington, Cambridge, Morgantown, Charlotte, Chapel Hill e Raleigh (Estados Unidos), Salamanca e Madri (Espanha), Tóquio (Japão) e Londres (Reino Unido).

 

Os painéis digitalizados da exposição podem ser vistos com legendas em português, alemão, inglês, espanhol, japonês e agora também em mandarim no endereço www.fapesp.br/publicacoes/braziliannature.

 

(Agência Fapesp)