Notícia

Diário de Pernambuco online

Biodiesel afeta negativamente a vida dos peixes, mostra estudo

Publicado em 21 novembro 2011

Estudo realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José do Rio Preto (SP), indica que o biodiesel - independente da fonte utilizada para sua produção - afeta negativamente a vida marinha. Os pesquisadores ponderam que, apesar da menor emissão de gases de efeito estufa na atmosfera em relação ao diesel de petróleo, a formulação do combustível possui elementos naturais que favorecem a absorção de substâncias tóxicas pelos peixes.

O estudo analisou as espécies tilápia-do-nilo, e o cascudo marrom, após exposição controlada ao diesel de petróleo e ao biodiesel de sebo animal. A pesquisa liderada pelo professor Eduardo Alves de Almeida, do Departamento de Química e Ciências Ambientais foi publicado no periódico Chemosphere.

"Utilizamos a tilápia, que é um modelo em toxicologia e possui hábito nectônico, ou seja, por nadar na coluna d"água ela tem acesso a todos os compartimentos do ambiente aquático", esclareceu Almeida à Agência FAPESP.

A equipe estudou exposições de dois a sete dias nas duas espécies ao diesel derivado de petróleo com biodiesel B5 (contendo 5% de biodiesel), biodiesel B20 (contendo 20% de biodiesel) e biodiesel puro (100% de biodiesel), a 0,1 e 0,5 ml/L de água.

"O B20, nas condições testadas, apresentou menos efeitos adversos do que o diesel de petróleo e do que o B5, o que pode indicar uma alternativa de combustível menos danoso do que o diesel. Entretanto, mesmo o biodiesel puro pode ativar respostas biomecânicas em peixes, nas condições experimentais testadas, indicando que esse combustível também pode representar um risco para a biota aquática", destaca o artigo.

Segundo Almeida, embora parte da origem do biodiesel seja renovável - óleos vegetais, gorduras animais, algas e materiais gordurosos -, pouco se sabe sobre os efeitos desse combustível, assim como seu grau de toxicidade, sobre os animais.

Segundo os resultados apresentados no artigo, o biodiesel pode ocasionar, de forma mais agressiva que o diesel de petróleo, a oxidação nas membranas celulares das brânquias dos peixes.

De acordo com o pesquisador, isso sugere que os elementos naturais do biodiesel, especialmente os derivados de ácidos graxos, são facilmente absorvidos pelos peixes e, de certa forma, auxiliam a entrada de mais substâncias tóxicas do petrodiesel presentes na mistura, que na ausência do biodiesel como "facilitador" eram mais difíceis de serem absorvidas.

A íntegra do artigo publicado na Chemosphere pode ser acompanhada em inglês no link: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S004565351100590X.

Por Éverton Oliveira - Redação Uai Meio Ambiente