Notícia

Jornal da Cidade (Bauru, SP)

Biocombustível paulista abastecerá aviação

Publicado em 14 julho 2013

Por Wilson Marini

Duas empresas de bioenergia instaladas no Interior Paulista estão perto de produzir combustível para a aviação civil tendo a cana-de-açúcar como matéria-prima. A Amyris, instalada em Brotas, perto de Bauru, desde dezembro de 2012 utiliza o caldo de cana e linhagens de leveduras geneticamente modificadas para produzir o farneseno, uma substância que depois de um processo de hidrogenação se transforma no bioquerosene. Trata-se de um produto líquido feito a partir do caldo de cana com o uso de linhagens de leveduras Saccharomyces cerevisiae. Esses microrganismos transformados atuam no processo de fermentação e levam à produção do farneseno, e não do etanol. A partir desse produto será possível, por processos de refino específicos, fabricar tanto o bioquerosene como produtos para a indústria química ou, ainda, o diesel que foi o primeiro alvo da empresa no Brasil.

Bioquerosene

A outra empresa é a Solazyme instalada desde 2011 em Orindiúva, na região de S. José do Rio Preto, num acordo comercial com a Bunge. Ela utiliza algas e caldo de cana para produzir um óleo primordial que, depois de um processo de craqueamento semelhante ao do petróleo, é transformado em bioquerosene com as mesmas especificações do querosene usado em aeronaves.

Pesquisa

Essas informações estão na edição de julho da Revista Pesquisa, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que acaba de ser publicada. Amyris e Solazyme fizeram parte de um grupo de 33 parceiros, entre empresas e instituições de pesquisa, que participaram do estudo “Plano de voo para biocombustíveis de aviação no Brasil”, patrocinado pela Embraer e pela Boeing, financiado pela Fapesp e coordenado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Tendência

De acordo com a revista Pesquisa da Fapesp, a aviação comercial deverá reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2050 em relação ao que foi emitido pelos motores de aviões em 2005. Para isso, um grande esforço de pesquisa e desenvolvimento está sendo feito em vários países por instituições e empresas no sentido de alcançar um querosene não mais produzido de petróleo, mas de origem renovável, que lance menos gases nocivos na atmosfera. O bioquerosene tem grandes chances de levar o Brasil a novamente se tornar um centro de referência mundial importante para o desenvolvimento e produção de um biocombustível como foi com o álcool e o biodiesel, diz a reportagem.

Peixe 'paulistinha'

Como curiosidade científica, a revista da Fapesp traz também matéria sobre o ‘paulistinha’, um peixe ornamental asiático de apenas 5 centímetros de comprimento, que começa a ajudar os pesquisadores brasileiros a identificar alterações bioquímicas que atingem o cérebro em algumas doenças neurológicas como a epilepsia e também a testar compostos candidatos a medicamentos. Usado no exterior para o estudo do desenvolvimento de vertebrados, o zebrafish, como é conhecido por lá, passou a ser adotado nas pesquisas em neurociências há cerca de uma década e só mais recentemente no Brasil. “Em alguns testes, o zebrafish pode funcionar como uma alternativa ao uso de roedores”, afirma o biólogo Denis Rosemberg, daUniversidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), de Santa Catarina.

wmarini@apj.inf.br