Notícia

Auto Informe

Biocombustível melhora o meio ambiente e fortalece a economia

Publicado em 03 outubro 2008

Artigo na revista Science mostra que combustíveis feitos com plantas não-comestíveis são alternativa aos fósseis e aos grãos.

Agência AutoInforme - Na edição de hoje (3/10) da revista Science, um grupo internacional de especialistas em biocombustíveis, agronomia, economia, biologia e conservação, publicou um artigo apontando que os sistemas de produção sustentável de biocombustíveis poderão ter um papel altamente positivo na mitigação das mudanças climáticas, na melhoria da qualidade do ambiente e no fortalecimento da economia mundial, mas, para que isso ocorra, serão necessárias muitas pesquisas e políticas com sólida base científica., conforme a Agência Fapesp.

O trabalho é resultado de discussões feitas durante workshop realizado pela Sociedade Ecológica dos Estados Unidos em março, e entre os 23 pesquisadores que assinam o texto, estão dois brasileiros: José Goldemberg, do Centro Nacional de Referência em Biomassa, vinculado ao Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, e Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

Os combustíveis à base de celulose, produzidos a partir de partes não-comestíveis ou tradicionalmente não-consumíveis de plantas, têm grande potencial de se tornar uma alternativa importante para os combustíveis fósseis e mesmo para o etanol à base de grãos, como soja ou milho, conforme o artigo da Science.

O plantio em locais errados ou práticas de gerenciamento ineficientes podem causar danos ambientais, segundo os autores, que se preocupam com as implicações do plantio com fins de obter biocombustíveis de celulose.

A indústria de biocombustíveis de celulose pode ter muitos atributos sociais e ambientais positivos, mas pode também sofrer de vários dos problemas de sustentabilidade que envolvem os combustíveis à base de grãos, caso não seja implementada da maneira certa. Sabemos que os sistemas de plantio de biocombustíveis baseados em grãos, da forma como são conduzidos atualmente, oferecem risco ambiental. Além da questão da dívida de carbono, criada pela área limpa em outros locais para repor a produção de alimentos que foi substituída [pelo plantio destinado a combustíveis], o plantio mais intensivo de nossas terras, com quantias de biomassa extraída cada vez maiores, pode facilmente exacerbar os problemas ambientais existentes, disseram os autores do artigo.

Para os pesquisadores, é fundamental que os tomadores de decisão em todos os níveis entendam que aplicar as melhores práticas para a produção de biocombustíveis terá impactos positivos tanto para sustentabilidade das áreas cultiváveis como para fornecer um espaço a longo prazo para os biocombustíveis no portfólio de energias renováveis.