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Biocombustíveis serão o fator de maior contribuição para a redução das emissões de carbono no segmento dos transportes

Publicado em 25 maio 2021

A conclusão é de um estudo que será detalhado durante a conferência multilateral Biofuture Summit II -BBEST2021

Os biocombustíveis são e serão o fator de maior contribuição para a redução das emissões de carbono no segmento dos transportes até 2030, em pelo menos quatro países – Brasil, Estados Unidos, Suécia e Finlândia. Na Finlândia e na Suécia, o impacto deixa de ser o principal apenas em 2040, quando se prevê que os carros elétricos sejam majoritários na frota local. Na Alemanha, os biocombustíveis trariam maior impacto após 2030. Já, no Brasil, definitivamente, eles já se apresentam como o principal fator e devem se manter na liderança até, pelo menos, 2050.

As conclusões são do estudo "O papel dos biocombustíveis para a descarbonização do transporte viário", encabeçado por Dina Bacovsky, pesquisadora do centro de pesquisas BEST (Bioenergy and Sustainable Technologies), da Áustria, com a participação de outros 20 pesquisadores dos Programas de Colaboração Tecnológica em Bioenergia e em Combustíveis Avançados de Motores da Agência Internacional de Energia (IEA Bioenergy e IEA Advanced Motor Fuels). O estudo será tema de uma apresentação durante o Biofuture Summit II e Brazilian Bionergy Science and Technology Conference 2021 (BBEST2021), que tem início, virtualmente, dia 24 de maio com a participação de mais de 30 países e cerca de 150 trabalhos de pesquisadores internacionais, sediado a partir do Brasil.

Ações simultâneas

Segundo a pesquisadora, para que as cinco economias estudadas (Brasil, Estados Unidos, Suécia, Finlândia e Alemanha) atinjam as metas de redução de emissões de carbono no setor de transporte viário até 2050, será necessário que adotem várias medidas simultaneamente. A redução da demanda por transporte viário, o aumento da eficiência dos veículos, a adição de biocombustíveis aos combustíveis fósseis, adoção de eletricidade gerada por fontes renováveis e o uso de hidrogênio obtido a partir de fontes renováveis, como o etanol, por exemplo, são apontadas como as mais promissoras para fazer frente às ambiciosas metas com as quais os governos desses países se comprometeram.

O estudo contou com a participação de 20 especialistas de sete países e se debruçou sobre o impacto de combustíveis como etanol, metanol, álcoois superiores diversos (a exemplo do butanol), éteres, biodiesel e metano, como, ainda, o impacto da redução de hidrocarbonetos nos combustíveis vigentes.

Recursos disponíveis

A partir do extenso levantamento nos cinco países, é possível afirmar que todos têm recursos em plantações suficientes para a produção de biocombustíveis em larga escala para substituir em até 30% a demanda de combustível fóssil para o setor de transporte até, pelo menos, 2060. Entre os recursos possíveis, foram citadas plantações voltadas à produção de energia (como cana-de-açúcar e milho), resíduos de safras, resíduos orgânicos de processos diversos, biogás, lenha, resíduos de construção e sobras de madeira.

Os cenários estudados levaram em conta a situação atual versus o potencial da adoção massiva de biocombustíveis, assim como de biocombustíveis aprimorados tecnicamente ao máximo (também chamados de "maxbios"), e do uso de carros elétricos em larga escala.

Brasil net zero

Segundo ela, o Brasil se destaca no cenário. Aqui, frente aos biocombustíveis, os carros elétricos não aparecem como uma contribuição significativa até 2050 em termos do seu impacto à matriz de energia do setor de transportes viários. Ela alerta, no entanto, que, apesar do uso intensivo de biocombustíveis no transporte viário, dada à frota flex e à adição de etanol na gasolina, as emissões do País deverão crescer até 2045. "Faz sentido, pois o país é uma economia em crescimento e haverá pressões para que tanto o total de quilômetros por passageiros como o total de quilômetros por frota sigam aumentando", comenta.

A pesquisadora explica que, potencialmente, o uso intensivo dos maxbios teria uma contribuição expressiva a dar na redução das emissões. "Isso seria relativamente fácil, uma vez que a frota local já é flex. Partimos do pressuposto que todos passariam a usá-los, assim como o biodiesel na substituição ao diesel", conta. Para Dina, o Brasil tem, sim, potencial para zerar suas emissões, mas isso implicaria na necessidade de se investir em uma grande produção local de biodiesel.

O estudo está disponível nos sites www.iea-amf.org e www.ieabioenergy.com

Sobre o Biofuture Summit II / BBest 2020-21: O Biofuture Summit é a principal conferência de debate e troca de experiências em políticas públicas promovida pela Plataforma para o Biofuturo, uma coalizão inter-governamental para promoção da bioeconomia de baixo carbono. Para sua segunda edição, o Biofuture Summit juntou-se à conferência científica Brazilian Bioenergy Science and Technology (BBest), para realizar um evento conjunto trazendo à luz o que há de mais avançado em políticas, financiamento, tecnologias, e ciência relacionadas à bioenergia e à bioeconomia em suas diversas formas. Participam do evento representantes de governos, órgãos internacionais, setor empresarial e pesquisadores de mais de 30 países. A Biofuture Summit II/BBEST2020-21 será totalmente online e acontece entre os dias 24 e 26 de maio. Mais informações acesse https://bbest-biofuture.org/

Sobre a Plataforma para o Biofuturo: A Plataforma para o Biofuturo é uma iniciativa intergovernamental, da qual participam várias partes interessadas. Foi projetada para agir pelas mudanças climáticas e apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com uma coordenação internacional pela promoção da bioeconomia sustentável de baixo carbono. Foi lançada em Marrakesh nas negociações climáticas da COP 22, em novembro de 2016. Desde 1º de fevereiro de 2019, a Agência Internacional de Energia (IEA) é o Facilitador (Secretariado) da iniciativa. A Plataforma para o Biofuturo tem vinte países membros: Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Holanda, Paraguai, Filipinas, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos e Uruguai. Como uma iniciativa da qual participam múltiplas partes interessadas, várias organizações internacionais, universidades e associações do setor privado também estão envolvidas e engajadas na condição de parceiros oficiais. Para obter mais informações, visite: www.biofutureplatform.org.

Sobre o BIOEN: o BIOEN, Programa de Pesquisa em Bioenergia da FAPESP, visa articular pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre entidades públicas e privadas, utilizando laboratórios acadêmicos e industriais para avançar e aplicar o conhecimento nas áreas relacionadas à bioenergia no Brasil. As pesquisas abrangem desde a produção e processamento de biomassa até tecnologias de biocombustíveis, biorrefinarias, sustentabilidade e impactos - http://bioenfapesp.org

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