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Biocombustíveis: polo ganha nova dimensão

Publicado em 05 maio 2011

Por Romualdo Cruz Filho

No início de 2004, durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) foi a instituição escolhida para ser o Polo Nacional de Biocombustíveis, com recurso próprio, sede e tudo o mais. De lá para cá, com a mudança no panorama internacional em relação às energias renováveis, a iniciativa acabou perdendo força.

Mesmo assim, o ex-diretor da Esalq, Roque Dechen, chegou a sustentar a tese de que o polo estava vivo e aguardava apenas alguns ajustes para que se consolidasse. Nesse período, foi questionada a continuidade do projeto, uma vez que o governo federal anunciou que haveria recursos, mas ninguém sequer viu a cor do dinheiro.

Tanto é que o governo do estado se dispôs a encampar o polo, com recursos da Secretaria de Ensino Superior, envolvendo as três principais universidades do estado: USP, Unicamp e Unesp. Seriam R$ 200 milhões para investir até o final de 2010. Só que, aos poucos, o projeto foi ganhando outra configuração.

José Vicente Caixeta Filho, novo diretor da Esalq, explicou que, na essência, nada mudou. Só que o conceito de polo, depois de bem analisado, perdeu a razão de existir. "Os tema bioenergia, agroenergia e afins são de natureza multidisciplinar. E talvez não faça sentido abrigar um tema como este em um único prédio ou em uma caixinha no organograma da instituição", disse.

Sendo assim, o polo acabou ganhando uma dimensão distinta da original. "A Esalq tem se esforçado sim para se tornar uma referência de excelência no que diz respeito aos biocombstíveis, que é um assunto inerente a todos os níveis da instituição: ensino, pesquisa e extensão", observou Caixeta.

Ele explica que o conteúdo é importante para vários departamentos e analisado em seus mais diversos aspectos, como cana-de-açúcar, fermentação, logística, certificação. "Por essa força supradepartamental, resolvemos dar andamento às pesquisas onde quer que elas estejam", desenvolveu o diretor.

A participação da Esalq na criação da usina de gaseificação, que está sendo construída em prédio da instituição, e do parque tecnológico, segundo Caixeta, demonstra a consistência do princípio de polo, só que com uma estrutura multifacetada. Ele diz ainda que a própria Fapesp - agência de fomento a pesquisas - tem liberado recursos para construção de novos e sofisticados laboratórios na Esalq, voltados aos estudos sobre biocombustíveis.

"Pegue mais um exemplo: o combustível de segunda geração, que tem mobilizado o mundo inteiro para produzir álcool a partir da celulose. Temos pesquisas em andamento desenvolvidas em parceria com outras instituições de pesquisas dos EUA e da Europa. Por isso eu digo que a ideia do polo trouxe uma série de oportunidades que estão em pleno andamento. Essa relação de trabalho em parceria, além de envolver alunos e professores, está sendo atrativo para investimentos privados em pesquisa", conclui.