Notícia

Info Energia

Biocombustíveis em discussão com a Holanda, e o etanol acaba sendo a grande atração

Publicado em 20 setembro 2010

Representantes da academia, da sociedade civil e dos governos do Brasil e da Holanda participaram, no dia 14 de setembro, na sede da FAPESP, em São Paulo, do Workshop Brasil-Holanda sobre Biocombustíveis Sustentáveis.O evento encerrou o 3º Encontro Bilateral no âmbito do Memorando de Entendimento para a Cooperação em Bioenergia, assinado pelos governos dos dois países.O etanol acabou sendo uma atração.

O workshop foi coordenado pelo ministro André Aranha Corrêa do Lago, diretor do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, e por Jan-Meinte Postma, enviado especial para o tema da Energia do Ministério da Economia da Holanda. A abertura teve a participação do diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz.

Foram discutidos os temas "Prognóstico futuro para os biocombustíveis sustentáveis brasileiros", "Demanda e fornecimento de biocombustíveis na Europa e sua sustentabilidade", "Aspectos ambientais dos biocombustíveis", "Aspectos sociais e econômicos dos biocombustíveis" e "Aspectos regulatórios dos biocombustíveis na Holanda e na Europa".

Segundo Corrêa do Lago, a realização do evento na sede da FAPESP sinaliza a dimensão acadêmica que deve ser levada em conta nas discussões sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis.

"Os governos do Brasil e da Holanda assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de aproximar os dois países em relação a esse tema e de proporcionar o diálogo mais aberto possível, com a melhor informação disponível, para que possamos avançar conjuntamente em direção à sustentabilidade dos biocombustíveis. A participação de membros do governo, da academia e de organizações não-governamentais (ONG) é uma grande oportunidade de diálogo", disse Corrêa do Lago.

Para Postma, o diálogo com o Brasil é fundamental, já que o país deverá ter um papel central, em um futuro próximo, no fornecimento de biocombustíveis em escala mundial.

"Os biocombustíveis brasileiros, em particular o etanol de cana-de-açúcar, terão papel importante no suprimento e nas estratégias de desenvolvimento econômico e social que serão desenvolvidas a partir da produção em larga escala. Por conta disso, é importante trocar informações baseadas no conhecimento", afirmou.

Brito Cruz explicou o funcionamento do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), que reúne mais de 100 pesquisadores e cerca de mil alunos de diversas instituições em áreas como produção de biomassa, química verde, processos, motores e células a combustível e aspectos sociais da produção de bioenergia. Ele destacou também a centralidade do Estado de São Paulo na produção e pesquisa sobre o etanol.

"Cerca de 56% da energia consumida no estado - que é proporcional à Espanha em termos de população e área - vem de fontes renováveis, sendo 38% do etanol da cana-de-açúcar. O uso do etanol permitiu que São Paulo reduzisse a participação do petróleo na matriz energética estadual de 60% para 33% nos últimos 30 anos", disse.

Marco Aurelio Pinheiro de Lima, diretor do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), destacou que a produtividade do etanol de cana-de-açúcar cresceu 66% nos últimos 30 anos no Brasil, graças ao desenvolvimento de tecnologias nacionais. Segundo ele, a substituição de 10% da gasolina utilizada no Brasil até 2025 levaria a uma produção de 250 bilhões de litros de etanol, gerando mais de 9 milhões de empregos no país.

"No CTBE temos cinco programas dedicados ao esforço de pesquisa necessário para desenvolver ainda mais o etanol: "Ciência básica", "Planta industrial piloto", "Sustentabilidade", "Mecanização de baixo impacto" e "Biorrefinaria virtual de cana". O objetivo é integrar as várias tecnologias no mesmo sistema, de modo que possamos aumentar a produtividade e a sustentabilidade de todo o processo de produção. Ainda não temos dados científicos suficientes para tirar conclusões sobre os aspectos de sustentabilidade no Brasil. Será muito importante gerar esses dados", afirmou.

Mark Wolthuis, diretor-gerente do North Sea Group, comentou sobre a demanda europeia de biocombustíveis e as questões ligadas à sustentabilidade. A empresa, atuante no mercado de petróleo da Europa, combina o armazenamento e a distribuição com o comércio internacional e a venda de biocombustíveis.

"A produção de energia renovável na Europa cresceu mais de 30% desde a publicação de uma resolução da Comissão Europeia, em 1997, que determina metas para 2020. Ainda assim, a produção é muito menor do que a demanda e ficou claro que, para atingir as metas, teremos que buscar os biocombustíveis no exterior. Por isso, prevemos que o comércio de biocombustíveis crescerá consideravelmente. Estamos trabalhando junto aos produtores brasileiros na implementação dos critérios de sustentabilidade, para que possamos combiná-los com o que precisamos na Europa", afirmou.