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Jornal da Ciência online

Benefícios do investimento em ciência

Publicado em 19 junho 2019

Por Fabrício Marques

Reunião do Global Research Council em São Paulo tratou do desafio de lidar com as expectativas crescentes da sociedade em relação aos impactos da pesquisa

Cerca de 50 dirigentes de organizações de fomento à pesquisa de 45 países reuniram-se em São Paulo entre os dias 1º e 3 de maio para discutir políticas de financiamento à ciência e compartilhar experiências no 8º Encontro Anual do Global Research Council (GRC), entidade criada em 2012 para estimular a cooperação entre agências e semear boas práticas de gestão. A reunião foi organizada conjuntamente pela Fapesp, pelo Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet), da Argentina, e pela German Research Foundation (DFG), da Alemanha.

O tema do evento foi o desafio de responder a expectativas crescentes de governos e sociedades em relação aos benefícios econômicos e sociais da pesquisa – e de lidar com cobranças para que a seleção e a análise dos resultados de projetos científicos sejam orientadas pelo impacto que podem alcançar. Nos últimos anos, os sistemas de avaliação vêm sendo pressionados a mensurar de forma mais ampla os efeitos positivos gerados pela pesquisa. Em vez de se ater exclusivamente à qualidade dos projetos, à robustez de seus resultados e ao mérito dos pesquisadores – critérios que nortearam o avanço da ciência por muito tempo –, a avaliação vem incorporando outras dimensões, como a possibilidade de subsidiar políticas públicas e de gerar aplicações com valor comercial ou potencial para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Isso criou novas tensões no trabalho das agências de fomento, que vêm se tornando intensas em diversos países.

Uma declaração de princípios endossada pelos participantes do evento mostrou os contornos desse desafio. O documento pontua que nenhuma pesquisa é livre de impacto, mas ressalta que os ganhos podem aparecer de várias formas, como o avanço do conhecimento, a formação de profissionais de alto nível e a produção de inovações. Embora considerem naturais e legítimas as cobranças para que o investimento público em pesquisa produza resultados palpáveis, os signatários observam que o impacto nem sempre é previsível – ele pode ser mais ou menos intenso que o esperado ou demorar mais para ocorrer do que se gostaria. E ressaltam que descompassos entre expectativa e realidade não representam uma fraqueza dos sistemas de ciência e tecnologia, tampouco um déficit de qualidade das pesquisas.

Veja o texto na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp