Notícia

A Cidade (Ribeirão Preto)

Bebês prematuros dobram em 30 anos

Publicado em 13 setembro 2009

Uma equipe de trabalho da Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão Preto inicia agora no fim de outubro a busca de 1.500 grávidas que irão participar de um megaestudo sobre a saúde perinatal, anterior e posterior ao parto. Entre os temas pesquisados está o da prematuridade.

Em 1978, no primeiro estudo feito em Ribeirão Preto, a Faculdade de Medicina concluiu que de cada cem nascimentos, sete eram prematuros.

Em 94, o número chegou a quase 14 por cem. E, neste momento, está girando entre 12 a 15%.

É um índice de primeiro mundo, comparado aos Estados Unidos, por exemplo explica o coordenador da pesquisa, professor Marco Antônio Barbieri, do Departamento de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Medicina.

Recrutamento

As futuras mães serão recrutadas nos centros de saúde de Ribeirão (SUS) e nos serviços de programa de atenção médica de pré-natal de alguns convênios particulares. O atendimento efetivo, com entrevistas e primeiros exames, será a partir 1º de dezembro.

Barbieri estima que dos 1.500 nascimentos monitorados, cerca de 200 serão prematuros. E o estudo é exatamente este: entender as razões do crescimento no número de nascimentos de prematuros e suas consequências.

A partir do quinto mês

A cooptação de 1.500 grávidas deve durar meio ano. Elas serão avaliadas a partir do quinto mês de gestação.

A equipe terá 40 médicos e a parte de pré-natal será liderada pelo docente de ginecologia obstetrícia Ricardo Cavalli.

Dois hospitais foram selecionados para a realização dos exames: Hospital das Clínicas, em sua ala de convênios, e na Mater. A princípio, os atendimentos serão aos sábados. Depois, na medida do possível, durante a semana.

Megaestudo

Na opinião do professor Barbieri, o projeto é vital mesmo porque a literatura mundial tem baixíssima capacidade de explicar a etiologia da prematuridade.

Ela tem algumas coisas bem marcadas mas parcela importante, mais de 70%, ainda não tem conhecimento científico determinado para a possibilidade terapêutica.

Por isso, nos estudos, estão relacionadas as questões de estresse, violência doméstica, mal atendimento no SUS, uso de drogas, bebida e fumo, passando por questões biológicas.

Os médicos vão analisar também biologia molecular, criar bancos de DNA e avaliar as infecções que as mães e as crianças podem ter.

Em resumo, será um megaestudo diz o professor Barbieri.

Observação

Na opinião do pesquisador, o ideal seria observar a futura mãe desde os primeiros dias de gravidez. Mas, por enquanto, não há dinheiro e nem disponibilidade para isso.

Para ter maior chance de sucesso, a partir do quinto mês, com os vários tipos de exame previstos, do pré-natal aos de ultrassom, acredita-se que possa ampliar os conhecimentos sobre o assunto além de projetar o acompanhamento do prematuro a partir do momento em que completar um ano de idade.

Por isso, com humildade, estamos pedindo especialmente às futuras mães, que colaborem mais uma vez com esta universidade que tem trazido grandes avanços para a comunidade científica diz o professor Barbieri.

Parceria RP-São Luiz

O mesmo projeto será desenvolvido em São Luiz, capital do Maranhão. O professor Barbieri explicou que se trata de uma parceria antiga com o líder dos trabalhos na capital maranhense. Ele foi nosso aluno, formou-se aqui e participou da Coorte de 78.

Do ponto de vista científico, São Luiz é oposta a Ribeirão em IDH (índice de Desenvolvimento Humano). Temos uma grande desigualdade. Então, poderemos averiguar outras tantas questões sociais e biológicas no nascimento de prematuros. Sobre os resultados do projeto Nordeste e Sudeste em 2010, o professor Barbieri espera que sejam bons. E o que os órgãos que nos deram dinheiro (R$ 3,5 milhões da FAPESP e do CNPq) estão esperando de nós.