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Beber água pode ajudar na perda de peso? Pesquisa aponta que sim

Publicado em 09 outubro 2010

Um controlador de apetite que não precisa de receita, não tem efeitos colaterais - desde que não haja abuso - e custa muito pouco (ou quase nada) acaba de receber a aprovação de pesquisadores. Um estudo apresentado na última Reunião Anual da Sociedade Americana de Química demonstrou que um copo de aproximadamente 230 ml de água, tomado antes das refeições, pode ajudar as pessoas a controlar seu apetite.

"Nós apresentamos os resultados do primeiro ensaio clínico randomizado que demonstram que o consumo de água pode ser uma estratégia efetiva para o controle do peso", afirma Brenda Davy, principal autora do estudo.

"Partimos de resultados apresentados em pesquisas anteriores feitas com pessoas de meia-idade e idosos que tomavam dois copos de água antes de se alimentar. Esses indivíduos consumiam entre 75 e 90 calorias a menos por refeição do que pessoas que não tomavam nada. Em nosso estudo acompanhamos - durante 12 semanas - pessoas que tomavam água nas três principais refeições diárias e observamos que realmente houve redução do peso desses indivíduos, quando comparados a outros que não tinham o mesmo hábito", completa Davy, pesquisadora do Instituto Politécnico da Universidade Estadual de Virgínia (Virginia Tech), nos EUA.

A pesquisadora aponta que o conhecimento popular já apontava para esse fato. Mas foi surpreendente chegar a conclusões científicas que comprovassem os reais benefícios do hábito. Outras pesquisas sugeriam para esse mesmo resultado. O que faltava, entretanto, eram testes clínicos sérios que comprovassem isso.

O estudo acompanhou 48 adultos, com idades entre 55 e 75 anos, divididos em dois grupos. Um que ingeria água e outro que não aderiu ao hábito. Todos os indivíduos, entretanto, fizeram refeições com baixo índice calórico (ou seja, todos estavam na mesma dieta alimentar). Após 12 semanas, aqueles que bebiam água chegaram a perder até 35% mais peso do que aqueles que não consumiam nenhum líquido.

Davy diz que o consumo de água pode ser efetivo por um motivo simples: encher o estômago com uma substância livre de calorias. Dessa forma, as pessoas se sentem satisfeitas mais rapidamente, comem menos e assim diminuem a ingestão calórica. "As pessoas deveriam beber mais água e menos bebidas com açúcar ou adoçante. É uma maneira simples de facilitar o gerenciamento do apetite", diz.

A pesquisadora aponta ainda que não se sabe exatamente o quanto de água deve-se ingerir diariamente, apesar de alguns estudos apontarem que o consumo máximo diário não passe de 2 litros (enquanto outros, como o do Instituto Americano de Medicina, dizem que a sede é o único fator limitante). Esse último estudo diz que a ingestão diária mínima indicada é de nove copos de 230 ml para as mulheres e 13 para os homens. Davy lembra que há situações raras, mas graves, de pessoas que desenvolveram a chamada "intoxicação por água", causada pelo excesso de consumo da bebida.

Lítio apresenta efeito protetor contra doença de Alzheimer

Pesquisa do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FMUSP) da USP comprova o efeito protetor do lítio para prevenir o aparecimento da doença de Alzheimer. A ação protetora foi verificada em idosos com transtorno cognitivo leve, que têm maiores riscos de desenvolver a doença. O trabalho deverá ser publicado em uma das próximas edições da revista científica British Journal of Psychiatry.

Entre pacientes com transtorno cognitivo leve, cerca de 10% desenvolvem o Alzheimer, um ano após manifestarem sinais de perda de memória. "Um grupo de idosos recebeu uma dose diária de 300 miligramas de lítio, menor do que a utilizada em casos de transtorno bipolar, e outro um grupo controle que recebeu apenas um placebo", conta o médico Wagner Gattaz, do IPq, que coordena a pesquisa junto com Orestes Forlenza, também do IPq. "Um ano depois, o percentual de pessoas que tomaram lítio e desenvolveram a doença era significativamente menor do que no grupo controle, o que demonstra um efeito protetor."

A doença de Alzheimer é caracterizada por dois processos biológicos, o aumento da produção de betaamiloide, proteína que se deposita em placas no cérebro (placas senis) e a hiperfosforilação da proteína TAU, um processo que destrói o esqueleto das células. Ambos os processos levam a morte dos neurônios. "O lítio inibe a atividade da enzima GSK 3-Beta, que fosforila a TAU e também participa na produção de beta-mieloide. Portanto o litio seria, potencialmente, o antagonista ideal contra os dois processos", destaca o médico.

De acordo com Gattaz, os tratamentos existentes apenas retardam a progressão da doença, sem impedir todavia a sua progressão. "Embora os sintomas da doença de Alzheimer, geralmente surjam após a sexta decada de vida, o processo biológico da perda de neurônios começa algumas decadas mais cedo", observa. "Por isso há a necessidade de desenvolver uma medicação que possa prevenir precocemente o surgimento da a doença."

Prevenção - Um novo projeto temático, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), realizará experimentos em animais geneticamente modificados para verificar se o lítio, ingerido em doses baixas durante toda a vida, pode prevenir o surgimento da doença de Alzheimer. "Esses animais possuem uma modificação genética que os leva a produzir o betaamilóide", aponta Gattaz. "Eles receberão lítio desde o nascimento e serão acompanhados por toda a vida para saber se haverá o desenvolvimento da doença."

O professor ressalta que se os testes com animais e os ensaios clínicos com seres humanos forem bem-sucedidos, seria possível usar o litio na prevenção da doença. "O Brasil é um dos maiores produtores de lítio do mundo", afirma. "Talvez um dia possa ser possível prevenir a doença de Alzheimer com a ingestão diária de doses minimas de lítio durante toda a vida, por exemplo na água potável, da mesma forma que a adição de flúor na água diminui a incidência de cáries, ou a adição de iodo no sal de cozinha previne doenças da tireóide."

O médico lembra que dois estudos antecederam os experimentos com os portadores de transtorno cognitivo leve. No primeiro, idosos com transtorno bipolar, doença em que o lítio é utilizado para estabilizar o humor, foram comparados com outros que não receberam a medicação. "Entre os pacientes que tomaram lítio, a incidência de Alzheimer foi cinco vezes menor do que entre os que não tomaram", conta. O trabalho foi publicado em 2007 no British Journal of Psychiatry.

No estudo seguinte, foi investigado o mecanismo pelo qual o lítio diminui a atividade da GSK 3-Beta. "O mais provável é que o lítio inibe a expressão do gene da enzima", diz o pesquisador do IPq. O trabalho é descrito em um artigo no European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience, publicado em 2008.

Déficit de atenção e hiperatividade pode ter causa genética, diz estudo

Um distúrbio que afeta milhões de crianças em todo o mundo, conhecido como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), pode estar relacionado à genética, ao contrário do que muitos médicos acreditavam. Segundo estudo da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, crianças com o problema têm duas vezes mais chances de terem cromossomos ausentes ou excedentes, comparadas àquelas que não apresentam esse transtorno.

Os cientistas avaliaram 366 pessoas com idades entre cinco e 17 anos e que apresentavam déficit de atenção e hiperatividade, comparando seus genomas aos de mil pessoas da mesma idade sem o transtorno. Foi analisada, principalmente, uma sequência de genes ligados ao desenvolvimento do cérebro, previamente associados a condições como autismo e esquizofrenia. E os dados indicaram que 7% das crianças sem o problema tinham excluído ou dobrado os cromossomos na sequência do gene analisado, enquanto a taxa de alterações genéticas foi de 14% entre aqueles que sofriam do transtorno.

"É a primeira vez que descobrimos que as crianças com TDAH têm uma parte do DNA duplicado ou faltando", esclarece a cientista Anita Thapar, que liderou o estudo. Entretanto, para a pesquisadora, os resultados ainda não afetam o diagnóstico ou o tratamento e são aplicáveis apenas aos caucasianos, pois os estudos não foram feitos com outras etnias.

TDAH - O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade atinge entre 3% e 5% das crianças em idade escolar nos Estados Unidos (não há números para as nações em desenvolvimento), causando desatenção, impulsividade e hiperatividade nas crianças, o que atrapalha, principalmente, sua vida escolar.

"As crianças, muitas vezes, sofrem preconceitos por seus comportamentos e isso acaba trazendo prejuízos nos relacionamentos interpessoais e no rendimento escolar. A pesquisa mostra indícios que a causa pode ser genética, porém existe muita coisa que ainda precisa ser feita para descobrir as causas reais do transtorno", explica a psicóloga brasileira Denise Marcon, que não participou da pesquisa.

Coquetel de aminoácidos pode ajudar a viver mais

Um estudo realizado por cientistas na Itália revelou que camundongos que beberam um coquetel com três tipos de aminoácido tiveram um aumento de 12% de suas expectativas de vida em comparação com cobaias que não passaram pelo tratamento.

Além de viver mais, os camundongos que tomaram os aminoácidos também mostraram uma melhora na forma física e na coordenação, revertendo problemas associados à idade avançada.

Nos experimentos, descritos em um artigo na publicação científica Cell Metabolism, as cobaias saudáveis, de meia idade, receberam água contendo os aminoácidos leucina, isoleucina e valina.

Estudos anteriores haviam comprovado que estes três aminoácidos aumentam a expectativa de vida das leveduras.

Mais testes - Os aminoácidos são moléculas que formam as proteínas. Eles são comercializados na forma de suplementos para fisiculturistas, pois ajudam a cultivar a massa muscular.

A equipe de pesquisadores, liderada por Enzo Nisoli, da Universidade de Milão, disse que o estudo oferece uma análise do papel dos aminoácidos na prevenção e no controle de doenças relacionadas à idade em humanos.

No entanto, lembram que ainda é preciso fazer mais testes para conhecer ao certo o grau de eficiência do tratamento em humanos.