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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Bauruense conduz pesquisa inédita nos EUA sobre crescimento muscular

Publicado em 15 novembro 2016

Por Tisa Moraes

Uma pesquisa inédita desenvolvida por um bauruense nos Estados Unidos promete dar os primeiros passos para a descoberta de caminhos para o tratamento de hipertrofia, distrofia (enfraquecimento) ou perdas musculares. Doutor em biologia geral e aplicada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Ivan José Vechetti Junior, 30 anos, está desde janeiro debruçado sobre os estudos, que estão sendo conduzidos por ele em seu pós-doutorado na Universidade de Kentucky, na cidade de Lexington.

 

A iniciativa, que conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é supervisionada pela professora Maeli Dal-Pai, da Unesp de Botucatu, e coordenada, na  Universidade de Kentucky, pelo professor John McCarthy. "Ele é referência em hipertrofia muscular e tem expertise em animais knockout (geneticamente modificados, para observar o que a falta ou a substituição de um gene pode causar no organismo", pontua Vechetti Junior.

 

O bauruense explica que os estudos estão focados na ação dos micro-RNAs, que controlam várias vias de crescimento e diminuição dos músculos. O esforço é para tentar determinar a real importância destas moléculas e o que a ausência delas é capaz de provocar no tecido muscular.

 

Para tanto, testes estão sendo realizados em camundongos adultos (com cerca de dois anos de idade), nos quais são aplicadas substâncias que inibem a ação dos micro-RNAs especificamente nos músculos. Os animais estão sendo monitorados para verificar se os tecidos musculares irão diminuir ou crescer mais rapidamente do que o normal ou, ainda, se não irão apresentar qualquer alteração.

 

"Os micro-RNAs são produzidos por uma proteína. A engenharia genética insere marcadores dentro do DNA, nesta proteína. Esta marcação é ativada e, com a aplicação de uma droga, enzimas cortam a ação desta proteína, tornando estes micro-RNAs inexistentes ou reduzidos no músculo", detalha.

 

CONHECIMENTO

 

Vechetti Junior explica que, por se tratar de uma pesquisa de base, ela poderá fornecer conhecimento para pesquisas aplicadas e, quem sabe, no futuro, ser a origem para o desenvolvimento de terapias em pacientes que sofrem de atrofia, hipertrofia ou distrofia muscular. "Se ficar constatado que, com a ausência dos micro-RNAs, o músculo diminui muito, por exemplo, o próximo passo seria saber qual tipo de micro-RNA é responsável por isso e injetá-lo em pessoas que sofrem de atrofia muscular para, assim, restaurar o músculo", completa.

 

Segundo ele, pesquisas semelhantes já foram realizadas em outros tecidos, como cabelos e rins, mas esta é a primeira vez em que o papel dos micro-RNAs nos músculos é estudada em animais adultos.