Notícia

Jornal do Commercio Brasil (SP)

Baterias mais baratas e menos poluentes

Publicado em 19 fevereiro 2008

Estudos desenvolvidos por pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sinalizam com a possibilidade de redução futura de custos e dos impactos ambientais das baterias de celulares, laptops e outros equipamentos eletrônicos.

No Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), sediado em Campinas, os estudiosos testaram a eficácia de materiais como óxidos de manganês para produção de baterias de lítio, uma alternativa ao óxido de cobalto que, embora garanta melhor desempenho, é mais caro e mais poluente.

A química Tânia Machado Benedetti, doutoranda do Instituto de Química da USP e integrante do grupo que está à frente da pesquisa, é otimista em relação à perspectiva de substituição de componentes químicos usados nas baterias atualmente.

Segundo a especialista, os óxidos de manganês, cuja eficácia ainda vem sendo testada, são mais abundantes na natureza, permitem a redução de impactos ambientais e podem baratear o custo da produção em larga escala.

"Precisamos avançar muito nas pesquisas em relação ao desempenho desses materiais. Mas eu acredito na viabilidade dessa substituição", afirmou ontem a pesquisadora durante o primeiro dia de programação da 18ª Reunião Anual dos Usuários de Luz Síncrotron (RAU), onde o trabalho foi apresentado. O evento reúne estudiosos brasileiros e estrangeiros, até hoje, na sede do LNLS.

Segundo Tânia, os estudos prosseguirão até 2010. O trabalho, cujo objetivo é aperfeiçoar o desempenho e tamanho de materiais nanoestruturados visando à produção de uma nova geração de baterias, foi iniciado em 2006.

A pesquisa tem recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (FAPESP) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológicos (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A pesquisadora também explicou que no LNLS foi desenvolvido todo o trabalho de caracterização da pesquisa que, além dos óxidos de manganês, utiliza em seu protótipo líquidos iônicos, cujos preços ainda são altos, mas tendem a cair, na sua avaliação.

Interação. Para o diretor-geral do LNLS, José Brum, um dos grandes desafios do Laboratório, considerado uma referência nacional e internacional, é ampliar cada vez mais a interação da pesquisa acadêmica com o setor produtivo. É dessa forma, segundo ele, que os avanços tecnológicos e científicos podem ser traduzidos em alcance social e melhoria do desempenho econômico. "Temos que estar sempre na fronteira do desenvolvimento tecnológico", observou.

Ainda segundo Brum, a luz síncrotron permite visualizar com exatidão a composição de materiais por meio de feixes de infravermelho, ultravioleta e raios-X em diversas intensidades.

Com inúmeras aplicações, essa poderosa fonte de investigação é utilizada em pesquisas nos campos da física, química, engenharia de materiais, meio ambiente, medicina, entre outros.

Brum acrescentou que a biologia estrutural é a área onde mais cresce a demanda pelos serviços do LNLS, por onde já passaram mais de 6 mil pesquisadores, nos últimos 20 anos, tempo de atividades do Laboratório.

*A repórter viajou a convite do LNLS