Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Batalha pela universidade está apenas começando

Publicado em 31 agosto 2001

A aprovação histórica do projeto de lei 169/95, de autoria da deputada estadual Mariângela Duarte, que autoriza o Estado a instalar na Baixada Santista a primeira universidade pública da região, prova que é possível a lideranças políticas despirem-se de outras vaidades em benefício de uma causa comum. Por 57 votos a 15, o projeto passou não apenas pelos parlamentares petistas, mas também por todos aqueles que, embora de outras legendas, tiveram a sensibilidade de se curvar diante de um apelo tão justo e necessário. Agora, é preciso dar ao projeto da deputada o devido tratamento, para que não se crie a falsa idéia de que a simples aprovação no Parlamento Paulista encerra a batalha. Ao contrário, ela está apenas começando. Ter uma universidade pública na Baixada não significa garantir vaga aos mais de 70 mil estudantes secundaristas que saem dos bancos escolares na rede oficial da região. A disputa pelas vagas continuará tão afunilada e desproporcional como tem sido até aqui. Agora, é certo que representa uma chance a mais àqueles que, mesmo em condições de disputar as seletivas vagas, não conseguem se manter fora da região, bancando despesas como alimentação e transporte. Pelo menos essa barreira estrutural não terão mais que enfrentar. Só esse já seria argumento suficiente para justificar a manutenção da campanha, mas existem outros ligados muito mais à questão econômica e social, imprescindíveis a uma região emergente como a Baixada. Não obstante as particulares também apostem em pesquisas científicas, gravita em redor das públicas a maior parcela de investimentos nesse setor, bancados não apenas pelos 9,577c do orçamento estadual, como pelas fontes paralelas, como Fapesp, Capes e CNPq. São fomentos que tanto estimulam o desenvolvimento de uma região, como contribuem para melhorar o nível dos profissionais aqui formados. É também de bons cérebros que a Baixada carece. Parte das expectativas em relação à vinda de uma universidade pública foi parcialmente atendida na última quarta-feira, mas os seis anos em que elas ficaram represadas mostram que os percalços não são nada fáceis de serem vencidos. Agora, é manter a mesma disposição demonstrada até aqui, esquecer a fogueira de vaidades e empunhar novamente a bandeira, desta vez não mais diante da Assembléia Legislativa, mas defronte ao Palácio dos Bandeirantes. É dali que a decisão final terá que sair.