Notícia

Jornal de Jundiaí

Base ecológica

Publicado em 13 agosto 2010

Cadeiras envolvidas em plástico para proteger da poeira, forro branco e novo, paredes pintadas de bege claro, deixando um rastro de cheiro de tinta no ar. É assim que a Base Ecológica de Jundiaí, instalada na Serra do Japi está agora, após uma completa reforma que durou cerca de um ano e meio. Inaugurado em 1992, o espaço será reinaugurado hoje, às 9h30.

O biólogo e professor titular do departamento de biologia animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), João Vasconcellos Neto, um dos responsáveis por esta conquista, aponta que a reforma foi possível graças a uma parceria da Prefeitura de Jundiaí com a Unicamp e Fundação Vitae - entidade brasileira que financia projetos de pesquisa. "Em 2006, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) lançou, em parceria com a Fundação Vitae, um edital para a escolha de projetos no Estado. A secretaria de planejamento soube deste edital e me procurou, pois o projeto deveria ser encabeçado por uma universidade", explica.

Foi preciso correr contra o tempo, pois o período de inscrição estava para ser encerrado. "O projeto foi feito em uma semana", recorda o professor. Foram vários projetos enviados, mas apenas 24 escolhidos. E entre eles, o de Jundiaí. "Recebemos a informação de que ele havia sido aprovado no início de 2007. E a partir daí foi repassado um montante da Fapesp e Fundação Vitae de R$ 37,5 mil, equivalente a 25% do valor total que ainda seria repassado"

Mas o empenho não se encerraria aí, uma vez que cada parceria pública (no caso, a Prefeitura) deveria defender seu projeto e apresentar propostas de continuidade. "E desses 24 projetos, então, seriam escolhidos apenas seis para receber os 75% restantes do montante, ou seja, R$ 112,500", detalha.

Com o apoio da administração pública, Vasconcellos conseguiu a primeira colocação entre os projetos aprovados. "O projeto, ´Infra-Estrutura para Base de Estudos de Ecologia e Educação Ambiental Miguel Castarde: apoio à pesquisa e ao ensino´, contou com diversos programas a serem implementados na Base Ecológica. Mas era preciso readequar o espaço, ou seja, esta reforma." Com isso, a Prefeitura arcou com os gastos das melhorias físicas da Base, que resultaram em R$ 150 mil investidos, segundo o professor.

Nova estrutura

Hoje, o prédio de 800 m² de área construída conta com uma nova rede elétrica e hidráulica, forro novo em PVC (o anterior era de madeira e estava impregnado de cupim), pintura, troca de piso, mobiliário novo, telefonia fixa e obras civis, que possibilitaram a criação de novos espaços.

No maior cômodo do prédio, um salão que comporta 50 pessoas sentadas, foram colocadas mesa de som, TV de LCD e aparelho de multimídia, além de mesas e cadeiras. O espaço será usado para receber escolas e para palestras. "Com isso, será possível conciliar a visita de alunos e de universidades, já que foi criado um espaço menor, que abrigará alunos de universidades e grupos de estudo para promover eventos científicos." Um dos programas é receber a comunidade para trabalhos de educação ambiental, além de capacitação de monitores que realizam caminhadas na Serra e também professores, inclusive de diversas partes do mundo. Afinal, a Serra do Japi é considerada um testemunho geológico da formação da Terra. "Ela abriga uma biodiversidade bem grande comparada às matas do entorno."