Notícia

Bom Dia Sorocaba

Base amplia espécies animais da Serra

Publicado em 24 agosto 2010

Uma casca de árvore perfeita até que um dedo encosta e ela começa a andar. Uma vespa que põe seus ovos em uma aranha e era desconhecida do mundo até receber o nome de Japi em laboratórios de Harvard (EUA).

Essas são algumas das pesquisas científicas na Serra do Japi, que ontem ganharam uma renovada base ecológica com equipamentos de última geração e conexão de fibra ótica com o mundo.

"Cada pesquisa divulga a serra, a cidade de Jundiaí e a história das políticas públicas de preservação. E isto ainda vai gerar educação para leigos", diz o professor João Vasconcellos Netto, do Instituto de Biologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

A instituição é parceira da prefeitura na base, que teve a reforma inscrita em 2006 no edital da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado) e da Fundação Vitae com estímulo da então assessora temporária Sílvia Ribeiro.

Mesmo com atraso (deveria ter saído há dois anos), a espera compensou pelo resultado de primeira linha dos investimentos de mais de R$ 300 mil (50% do governo local).

"Muda tudo o que pode ser triado e analisado aqui", diz Adriana Salomão, 30, pesquisadora de espécies raras da ordem hemiptera, como o recente bicho-casca.

Com ela concordam Jober Fernando Sobeczak, 28, desde 2006 na busca da interação de aranhas e vespas, e Janaína Cortinoz, 27, que mostra como esquilos controlam a população de besouros comendo os côcos.

"Ainda temos muito a ver, como na etnobiologia, onde existem receitas com os raros morangos da serra", afirma Vasconcellos.

Ele diz que um portal na internet vai abrigar pesquisas feitas no local, que são mais de 200 desde o tombamento (1983). E prepara para breve o livro "Novos Olhares, Novos Saberes sobre a Serra do Japi - Ecos de sua Biodiversidade".

Miguel anuncia desapropriações

A prefeitura está desapropriando 700 mil m do lado de fora da Rebio (Reserva Biológica Municipal).

"Dentro da área foram 800 mil m, chegando a 48% de seus 21 milhões de m", diz o secretário Jaderson Spina, do Planejamento e Meio Ambiente.

Ele define no sistema de proteção da serra a Rebio como núcleo de pesquisa, a área tombada em 1983 (191,7 milhões de m) como zona de conservação e os limites do território de gestão da serra como "entorno sustentável".

Para o prefeito Miguel Haddad (PSDB), conciliar desenvolvimento e meio ambiente "não é só possível, mas um investimento nas próximas gerações", citando os indicadores positivos locais.