Notícia

O Tempo online

Banco de dados vai mapear o perfil facial do brasileiro em 3D

Publicado em 28 março 2015

Por Litza Mattos

Com dimensões continentais e a miscigenação muito presente, ainda é difícil identificar qual é o padrão do rosto do brasileiro. Mas uma pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, em São Paulo, pretende não só chegar a essa resposta como também disponibilizar um banco facial nacional.

Essas análises servirão como ferramentas para auxiliar nos tratamentos estéticos, de problemas bucomaxilofaciais e na área de cirurgia plástica, permitindo que o médico consiga antecipar para o paciente os resultados de uma intervenção cirúrgica.

“O banco fornecerá um perfil de determinada população, que servirá como base para auxiliar diretamente os profissionais da medicina e áreas afins (fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, odontologia e também ciências ligadas à saúde). Da imagem, podemos idealizar protótipos a partir da impressão 3D, tão difundida nos dias de hoje”, explica o professor Marco Antônio Moreira, coordenador dos estudos.

O projeto piloto começou em 2011, mas os experimentos e a coleta de dados só começaram com a chegada dos equipamentos. Nessa fase, a equipe da USP capturou imagens de 60 adultos jovens e saudáveis, sendo 30 homens e 30 mulheres, entre 18 e 30 anos.

Segundo Moreira, o equipamento está sendo utilizado praticamente todos os dias, mas as amostras das cinco regiões brasileiras estão dependendo de aporte financeiro.

Como funciona. Para capturar as imagens, foram testadas várias técnicas, mas a que trouxe resultados mais fidedignos e, portanto, a escolhida pelos pesquisadores foi a estereofotogrametria, que consiste na captura em três dimensões utilizando uma metodologia digital e não invasiva.

Primeiro, cada pessoa teve seu rosto medido e pontilhado em pelo menos 30 regiões, que serviram de “guias” para que o computador produzisse uma imagem mais próxima da realidade. Em seguida, a pessoa foi posicionada em frente a seis câmeras, e uma intermitente sequência de fotos fez os registros. Um sofisticado software então arquiva, seleciona e processa tudo o que foi fotografado em diferentes ângulos.

Em questão de pouco mais de dez minutos, cada contorno do rosto é esculpido em detalhes, e a imagem em três dimensões fica catalogada de forma confiável e com condições de atender aos critérios científicos.

Equipamentos

Custo. O projeto piloto foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os equipamentos são norte-americanos e custaram US$ 60 mil (R$ 180,9 mil).

Flash

Mais áreas. O Google também anunciou que utiliza a estereofotogrametria no serviço do Google Earth para poder traçar cidades totalmente reconstruídas. Durante o lançamento da novidade, em 2012, a empresa apresentou uma imagem de todos os prédios do centro de San Francisco, completamente modelados em 3D.