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Século Diário

Baixo peso em recém-nascidos é atribuído à poluição

Publicado em 29 setembro 2009

Flavia Bernardes

Um estudo feito em São Paulo reforçou as teses de que poluição ambiental é uma das causas do baixo peso em crianças recém-nascidas. Feito pela Universidade de Taubaté (Unitau), o estudo aponta o ozônio e o dióxido de enxofre como fatores de risco para os bebês. Sob o mar de Camburi, em Vitória, a concentração de enxofre já foi registrada em 70% maior do que a permitida.

Os resultados do estudo da Unitau foram divulgados em artigo na revista Cadernos de Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz. E, segundo seus autores, ao contrário das antigas pesquisas realizadas nas grandes metrópoles, foi realizada em uma cidade de médio porte, no caso São José dos Campos (SP), com cerca de 615 mil habitantes.

Lá, a pesquisa apontou que 3,95 dos recém-nascidos apresentaram redução no peso devido aos poluentes, principalmente ao ozônio. O estudo trabalhou apenas com mães classificadas como saudáveis, dentro do critério estabelecido pelo Ministério da Saúde.

O estudo utilizou ainda dados ambientais da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Foram montadas bases de dados com informações acumuladas sobre a exposição trimestral aos poluentes, de modo a permitir um efeito cumulativo e estimar a resposta a cada substância.

Para cada dia analisado de ocorrência de nascimentos de bebês com baixo peso, os pesquisadores consideraram os valores totais para os 90 dias anteriores, para cada poluente.

De acordo com Nascimento, como o estudo trabalha com população (recorte ecológico) e não com o indivíduo, não há identificação da mãe nem do bebê com baixo peso. O estudo verificou que de uma amostra de 311.735 nascimentos, 4,6% dos recém-nascidos apresentaram menos de 2,5 quilos ao nascer.

Já no Estado, faltam estudos neste sentido. O último estudo apresentado foi em meados de 2006, quando o levantamento da médica Ana Quiroga, do Hospital Infantil, responsabilizava a poluição pela inversão das causas de mortes de crianças da região (o item má-formação congênita havia saído dos últimos lugares da lista para as primeiras posições).

Anteriormente, já havia se constatado o aumento de PM10 (material particulado que gera os maiores prejuízos à saúde, uma vez que não é retido pelas defesas do organismo, atingindo assim partes mais profundas dos pulmões, transportando-lhe substancias tóxicas e cancerígenas) no ar de Vitória. Na mesma ocasião, foi registrado o acréscimo de internações por doenças respiratórias de 17,2%, e cardiovasculares em 8,5%, em idosos no município.

Em São Paulo, além dos estudos citados, há ainda as pesquisas conduzidas pelo renomado professor do Departamento de Patologia da FMUSP, Paulo Hilário Saldiva, que entre outras conclusões, afirmou que em dias mais poluídos morrem mais bebês em gestação na capital paulista.

Saldiva coordenou o Projeto Temático "O impacto das exposições intrauterina e nas fases iniciais do desenvolvimento pós-natal aos poluentes atmosféricos no desenvolvimento de alterações adversas na vida adulta", apoiado pela Fapesp e concluído em 2008, e atualmente é coordenador do Instituto Nacional de Análise Integrada de Risco Ambiental, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), que no Estado de São Paulo são apoiados pela Fapesp por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa - Projeto Temático.