O bagaço, que antes era considerado um dejeto que trazia problemas, hoje, seu aproveitamento vai desde ração animal, fertilizantes, matéria-prima para indústria química e co-geração de energia, uma de suas principais aplicações.
A sede no Brasil do Centro de Pesquisa Conjunta entre Brasil e China para Monitoramento Tridimensional e Controle de Combustão de Biomassa está sendo transferida da Unicamp para a Unisanta, com apoio da FAPESP. Os estudos visam à geração de energia, especialmente da cana-de-açúcar, reduzindo a poluição no ar.
Pesquisa conjunta da Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong (HUST), da China, com a Universidade Santa Cecília (Unisanta),
O Brasil é o primeiro país em desenvolvimento dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) a estabelecer uma parceria estratégica com a China nessa área. Entre os primeiros equipamentos que serão instalados na Unisanta para as pesquisas estão um forno para queimar a biomassa de cana e um espectômetro de gás, para medir a intensidade do comprimento da onda de luz e a temperatura das chamas.
No Brasil, a biomassa, incluindo principalmente a queima de bagaço da cana-de-açúcar, é a segunda fonte de energia térmica, atrás apenas de derivados de petróleo. O Brasil é o primeiro do mundo na utilização do etanol, menos poluente do que a gasolina, e um dos primeiros a pesquisar a utilização do bagaço de cana como fonte energética. Na China, o combustível de biomassa, como energia de combustão limpa e renovável, desempenhará um papel crucial na estrutura de energia, pois o carvão, mais utilizado naquele país, é bem mais poluidor, explica o prof. dr. Salinas.
A colaboração das duas nações visando utilizar a combustão de biomassa para reduzir os efeitos poluidores da produção de energia integra a Orientação Nacional Chinesa a médio e a longo prazo, para o Programa de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (2006-2020), o Plano Decenal de Cooperação entre o Governo da República Popular da China e o Governo da República Federativa do Brasil (2012-2021).
O Centro de Pesquisa Conjunta entre Brasil e China para Monitoramento Tridimensional e Controle de Combustão de Biomassa foi criado em 2014 pela Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong (HUST), com suporte financeiro do Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China.
A Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um composto derivado do bagaço de cana que pode substituir o petróleo na fabricação de plásticos.
Uma pesquisa elaborada por membros do Laboratório de Tecnologia dos Aglomerantes (LabTag) do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (Deciv) da Universidade Federal de Pernambuco indicou que o uso das cinzas de bagaço de cana-de-açúcar adicionado ao cimento melhora a qualidade do concreto.
A geração de energia pelo setor sucroenergético, utilizando o bagaço da cana, representou 79,5% da produção total da bioeletricidade ofertada à rede em 2021. Em seguida, ficou a energia gerada pelo licor negro (subproduto da indústria de papel e celulose) com 11,9%, pelo biogás com 4,5% e demais biomassas com 4,1%
O setor sucroenergético tem muito a crescer. Em 2021, apenas 60% das 369 usinas de açúcar e etanol em atuação no País ofertaram o excedente em energia elétrica. Caso todas as usinas produzissem energia, o total ofertado à rede elétrica poderia alcançar 151 mil Gwh, cerca de 26% do consumo energético anual do País.
O potencial de 151 mil Gwh representa duas vezes a geração da Usina de Itaipu e cinco vezes a geração da Usina de Belo Monte. Isso utilizando o potencial de uma fonte renovável e sustentável que já existe nos canaviais: o bagaço da cana-de-açúcar.
O bagaço da cana de açúcar é sustentável, renovável e ecologicamente correto, tanto que é considerado por muitos como a “ITAIPU do campo. Depois de produzir açúcar e álcool, a cana vira bagaço que ia fora. Hoje na China a busca por uma economia mais verde tem feito o bagaço da cana valer ouro. A China é o 3º país maior produtor de cana. O bagaço valer muito mais que a própria cana de açúcar. Há um plano para uma fábrica chinesa seja instalada no Brasil, para produzir lancheiras, pratos, recipientes para comida, talheres descartáveis, copos, compartimentos compostável, copos de imersão de molho biodegradável muitos outros produtos que já são exportados para a união europeia. Os produtos feitos com bagaço de cana são fortes e duráveis, fibra natural é muito agradáveis.