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Bagaço da cana-de-açúcar é capaz de descontaminar água poluída, comprovam pesquisadores brasileiros

Publicado em 19 fevereiro 2021

É uma pesquisa atrás da outra, com contribuições essenciais, que os cientistas brasileiros deixam para a humanidade. Agora, um grupo de pesquisadores descobriu que o bagaço da cana-de-açúcar é capaz de descontaminar água com cobre ou crômio.

Num país em que o dejeto da cana é um dos principais resíduos da agroindústria, essa informação vale ouro. Em vez de ir para o lixo, o bagaço pode “limpar” as águas poluídas.

A comprovação foi feita por meio de uma pesquisa desenvolvida por estudantes e professores da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Federal de São Paulo, publicada no periódico Environmental Science and Pollution Research.

Eles identificaram que o bagaço, modificado através de procedimentos de laboratório, tem um grande potencial de remover o cobre e o crômio da água. Isso é maravilhoso, já que boa parte das águas poluídas são contaminadas por esses dois metais.

O cobre é bastante usado na indústria e na construção civil por ser um condutor de eletricidade e, por isso, costuma estar associado à água. Quando identificado com alto teor, ele provoca náusea, vômito e diarreia em quem consome o líquido.

Já o crômio é aplicado em processos industriais, como o curtimento de couro e tingimento têxtil. Sua presença na água pode ser tóxica e até causar câncer.

Como funciona o uso de bagaço na descontaminação da água

O grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu um compósito de bagaço, proveniente do processamento da cana pelas usinas de etanol e de açúcar, com nanopartículas de magnetita sintéticas, mas que são encontradas na natureza.

Quando a combinação é aplicada na água, ela puxa o cobre e o crômio para a superfície e, usando um ímã, os pesquisadores retiram os metais poluentes, deixando a água limpa.

“O material também pode ser aplicado na remoção de moléculas orgânicas, como corantes sintéticos, drogas, hormônios e pesticidas, o que reforça seu potencial para tratamento de água e efluentes”, escreveu o grupo no artigo científico.

Outros compostos removem até óleo da água

As pesquisas desenvolvidas pelo trabalho também podem levar a uma solução para despoluir grandes mananciais, como a investigação com biomassa de levedura, outro resíduo bastante usado na indústria alimentícia. Alguns compósitos magnéticos podem absorver até óleos, como o petróleo cru.

As pesquisas desse tipo vêm crescendo, principalmente devido à escassez de água limpa e potável no país e no mundo. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) recursos de água doce disponíveis por pessoa no planeta diminuíram mais de 20% nas últimas duas décadas e cerca de 2,2 bilhões de pessoas têm dificuldade de acesso à água potável.

“Esperamos que a produção científica com base no uso desse tipo de tecnologia continue crescendo no Brasil e impulsione a bioeconomia no país“, disse a professora Elma Carrilho.

Nós também torcemos por isso, Elma! ??