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Bagaço da cana como fonte de energia é um dos temas de parceria entre universidade chinesa e a Unisanta

Publicado em 25 agosto 2017

Por Elaine Saboya

A sede no Brasil do Centro de Pesquisa Conjunta entre Brasil e China para Monitoramento Tridimensional e Controle de Combustão de Biomassa está sendo transferida da Unicamp para a Unisanta, com apoio da FAPESP. Os estudos visam a geração de energia, especialmente da cana-de-açúcar, reduzindo a poluição no ar.

Pesquisa conjunta da Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong (HUST), da China, com a Universidade Santa Cecília (Unisanta), foi apresentada aos alunos e professores do Mestrado de Engenharia Mecânica da Unisanta, nexta sexta-feira (25/8), às 11 horas, na Sala 72 do Bloco F, em Santos.

O encontro Power Generation and Pollution Mitigation: Brazil-China Cooperation, Advances and Oportunities” (Geração de Energia e Mitigação da Poluição: cooperação Brasil-China, avanços e oportunidades), teve como palestrantes os Profs. Drs. Carlos Teófilo Salinas Sedano, pela Unisanta, e os chineses Chun Lou, Yu Qiao e Chun Zou, pela Huazhong University (HUST), uma das mais importantes do mundo.

O Brasil é o primeiro país em desenvolvimento dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) a estabelecer uma parceria estratégica com a China nessa área. Entre os primeiros equipamentos que serão utilizados na Unisanta para as pesquisas estão um forno para queimar a biomassa de cana e um espectômetro de gás, para medir a intensidade do comprimento da onda de luz.

Desafio: energia limpa

No Brasil, a biomassa, incluindo principalmente a queima de bagaço da cana-de-açúcar, é a segunda fonte de energia, atrás apenas da gasolina. O Brasil é o primeiro do mundo na utilização do etanol, menos poluente do que a gasolina, e um dos primeiros a pesquisar a utilização do bagaço de cana como fonte energética. Na China, o combustível de biomassa, como energia de combustão limpa e renovável, desempenha um papel crucial na estrutura de energia, pois o carvão, mais utilizado naquele país, é bem mais poluidor.

A colaboração das duas nações visando utilizar a combustão de biomassa para reduzir os efeitos poluidores da produção de energia integra a Orientação Nacional Chinesa a médio e a longo prazo, para o Programa de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (2006-2020), o Plano Decenal de Cooperação entre o Governo da República Popular da China e o Governo da República Federativa do Brasil (2012-2021).

O Centro de Pesquisa Conjunta entre Brasil e China para Monitoramento Tridimensional e Controle de Combustão de Biomassa foi criado em 2014 pela Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong (HUST), com suporte financeiro do Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China.

No Brasil, o professor peruano Carlos Salinas estuda essa área desde 2007. Os dois países estão interessados em medições ideais da temperatura de gás combustível, para reduzir poluição do ar.

A Huazhong University (HUST), da China e a Unisanta darão continuidade às pesquisas, aprovadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O Centro de Pesquisa Conjunta opera sob a tutela da Unisanta e do Laboratório do Estado de Combustão de Carvão (SKLCC) da HUST.

O Prof. Dr. Salinas tem pesquisas aprovadas pela Fapesp, sobre geração de energia, relativas a um intercâmbio de cooperação entre Brasil e China. Ele é pesquisador pós-doutor, doutor (1999-2003) e mestre (1993-1996) em Engenharia Mecânica pela Unicamp. Diplomou-se em Engenharia (1978-1983), pela Universidade Nacional de Engenharia, do Peru.

Esforços da China

A China vem tentando reduzir a poluição do ar controlando a emissão de partículas pesadas no ar pelas indústrias, utilizando gás natural e também otimizando a queima dos combustíveis. A quantidade de ar ejetado para essa queima é importante para reduzir a poluição. O ar não pode ser ejetado nem em grande quantidade nem em pequena quantidade.

O Prof. Dr. Chun Lou prevê uma redução significativa da poluição do ar na China daqui cinco anos, graças às pesquisas científicas em torno do tema e do controle das fontes poluentes. Os palestrantes do Seminário, os doutores Salinas, Chun Lou e Yu Quiao foram recebidos pela Reitora da Unisanta, prof.ª draª Sílvia Teixeira, pela presidente, Lúcia Teixeira, pelo diretor da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Unisanta, eng. Antonio de Sales Penteado, pelo diretor de Marketing, prof. Me. Marcos Teixeira Penteado e pelo Coordenador dos Programas de Stricto Sensu da Universidade, prof. dr. Marcos Tadeu Tavares Pacheco.

Inovação tecnológica

O Centro de Pesquisa Conjunta entre Brasil e China para Monitoramento Tridimensional e Controle de Combustão de Biomassa está empenhado em enfrentar os desafios científicos e tecnológicos de garantir a utilização de combustão de biomassa através de medições avançadas de combustão e técnicas de diagnóstico.

“Nossa missão, explica o Prof. Dr. Salinas, é cooperativamente investigar, desenvolver e distribuir monitoramento avançado e técnicas de controle de combustão de biomassa que melhorem a segurança e a alta eficiência para combustão de biomassa, através da criação de uma parceria bilateral entre universidades, indústrias, fundações, e organizações governamentais na China e no Brasil.

O Centro de Pesquisa Conjunta será como uma ponte de cooperação em inovação de tecnologia de energia limpa entre China e Brasil, e contribui para promover as relações entre os dois países. Seus objetivos: desenvolver e distribuir monitoramento de visualização tridimensional e técnicas de controle de combustão de biomassa; melhorar o intercâmbio acadêmico e tecnológico em utilização de combustão de biomassa e diagnóstico de combustão, entre universidade e indústrias chinesas e brasileiras; treinar técnicos profissionais que sejam capazes de enfrentar os desafios do monitoramento e controle de combustão de biomassa.

O campus de HUST está localizado em Wuhan, capital da província de Hubei, no rio Yangtze. A Universidade fica sob o comando direto do Ministério da Educação da República Popular da China.