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Bactérias nas árvores da Amazônia podem absorver metano (7 notícias)

Publicado em 29 de julho de 2024

Uma pesquisa de um grupo internacional de pesquisadores iniciada em 2013 sugere que as bactérias nas árvores da Amazônia podem absorver metano. A informação surgiu da coleta de gases em cascas das árvores da floresta no Brasil em comparação com análises de amostras de florestas do Panamá, Reino Unido e Suécia.

O resultado do estudo até o momento está publicado na revista Nature. Segundo os pesquisadores, havia a ideia de que a floresta amazônica contribui para o aquecimento global por causa das medições de gases da última década. Mas a pesquisa indica, então, que ela pode ser parte da solução. O biólogo brasileiro Alex Enrich Prast lidera a pesquisa em parceria com o biólogo britânico Vincent Gauci.

São dois trabalhos diferentes, porém consonantes: o de Prast observa a capacidade da floresta reter o metano e começou a partir da pesquisa da química Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que analisou um volume de emissões maior do que o esperado na floresta entre 2011 e 2013. “Nós mediamos os fluxos de metano na floresta com baldinhos, enquanto outros faziam monitoramento com aviões”, diz Prast.

Metano O metano é um dos principais gases que agravam o aquecimento global e os pesquisadores descobriram dentro da floresta que as bactérias que ficam nas raízes das árvores lançam o gás nocivo na atmosfera. Entretanto, Prast, Gauci e os demais pesquisadores observaram que as árvores também estavam assimilando o gás, funcionando como sumidouros de metano. “Vimos que a assimilação é maior na porção mais alta do tronco”, afirma.

Então, os pesquisadores instalaram nas árvores aparatos como câmaras detectores de gases e perceberam que nos troncos e nas várzeas acontece a absorção do metano. “Já identificamos, na microbiota do tronco, algumas bactérias que oxidam o metano”, conta.

A coleta ocorreu na Reserva Extrativista do Lago do Cuniã, em Rondônia, às margens do rio Madeira e cerca de 130 quilômetros (km) a nordeste de Porto Velho. Em números, os troncos conseguem absorver em média 15% de carbono pela biomassa vegetal da Amazônia. Para a mitigação isso corresponderia a 7% da absorção em florestas temperadas e 12% nas tropicais.

Importância do estudo O estudo reforça a importância do reflorestamento para mitigar as emissões de gases do efeito estufa. Jean Ometto, do Inpe, celebrou a indicação da recuperação florestal.

“A redução das concentrações de metano antrópico na atmosfera, por sua dinâmica e tempo de residência, é de enorme relevância para que as metas do Acordo de Paris possam ser atingidas”.

O dióxido de carbono tem vida longa e permanece mais de um século na atmosfera. Mas apesar de permanecer por apenas 10 anos, o metano tem poder de aquecimento maior pela forma como sua estrutura molecular reage com a radiação solar.

Resultado positivo Os pesquisadores ainda estão com o estudo em andamento, no entanto já veem resultados positivos. As análises surgiram a partir de um resultado negativo, a pesquisa de Luciana Gatti, que indicou uma alta emissão de metano pela floresta. “Essa nova área da ciência não avançaria se não tivéssemos prestado atenção a esse resultado”, diz Alex Enrich Prast.

Júlia Gontijo, pesquisadora integrante do grupo de estudo, celebrou o resultado. “Considerar que a microbiota das cascas das árvores também consome metano altera significativamente o balanço de gases”.

*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ( ODS ), da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta matéria, o ODS 13 – Ação Global Contra a Mudança Climática.