Notícia

Head Topics (Reino Unido)

Bactérias da folha da laranja podem reduzir impacto de agrotóxicos na natureza

Publicado em 07 setembro 2020

Pesquisadores da USP identificaram microrganismos capazes de degradar dois inseticidas muito utilizados no Brasil

.Como as bactérias habitam o mesmo ambiente onde os produtos químicos são aplicados e, mesmo assim, se mantêm “vivas”, a hipótese dos cientistas era de que elas conseguissem eliminar os agrotóxicos. Para comprovar a teoria, eles realizaram inúmeros testes no Laboratório de Química Orgânica e Biocatálise do IQSC. Diversas espécies de

Representante dos supermercados diz para brasileiro trocar arroz por macarrão - Economia - Estadão Senado aprova pena maior, de até cinco anos, para maus-tratos contra cães ou gatos Ministério da Justiça pede que supermercados e produtores expliquem alta dos alimentos

Bacillusextraídas de folhas de laranja de uma plantação em Tabatinga (SP) foram colocadas em frascos que continham pequenas amostras dos agroquímicos. Após cinco dias de experimentos, alguns resultados chamaram a atenção: a bactéria

Bacillus amyloliquefaciensconseguiu biodegradar 93% do Fipronil, enquanto a bactériaBacillus pseudomycoideseliminou 88% da Bifentrina. “Elas promoveram reações de biodegradação dos pesticidas, mostrando potencial para eliminar tais agentes tóxicos lançados no meio ambiente. Essa atividade dos microrganismos representa uma importante função ambiental de remediação desses produtos,” afirma Juliana G. Viana, autora do trabalho e doutoranda do IQSC.

Bactérias foram colocadas em frascos que continham amostras de pesticidas – Foto: Henrique Fontes – IQSC/USPA pesquisadora, que teve sua pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), também testou como seria o desempenho de grupos de bactérias do gênero

Bacillusatuando juntas contra os agrotóxicos. Oito linhagens dos microrganismos, de diferentes espécies, foram colocadas para reagir com os produtos químicos e alcançaram uma degradação de 81% do Fipronil e de 51% da Bifentrina. Segundo explica o professor André Luiz M. Porto, do IQSC, que orientou o trabalho, quando as bactérias estão em conjunto, pode haver competição por espaço e nutrientes, “desviando o foco” do combate aos pesticidas. Isso de certa forma justifica a taxa de biodegradação um pouco inferior ou mais lenta nos testes com bactérias trabalhando em equipe.

Cientistas do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) estudam diversas espécies de bactérias extraídas da natureza. – Foto: Henrique Fontes – IQSC/USPBanidos na União Europeia, tanto o Fipronil como a Bifentrina são empregados no Brasil como inseticida e formicida em diversos tipos de plantações, como em culturas de citros, tomate, batata, milho, arroz, soja, feijão, entre outras. Além de sua aplicação no campo, o Fipronil também é utilizado para matar pulgas e carrapatos em cães, podendo gerar riscos aos animais, se administrado incorretamente. Em abelhas, os dois produtos são capazes de atingir o sistema nervoso das polinizadoras e levá-las à morte, acarretando problemas não só para o ser humano, que perderia uma população de insetos responsável pela polinização de flores que produzem diversos tipos de alimentos, mas também para a economia. Segundo estudorealizado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), em parceria com a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (Rebipp), o valor do trabalho prestado pelos animais polinizadores à agricultura brasileira gira em torno de R$ 43 bilhões por ano.

Advogada exige candidatas 'não feministas' para vaga de emprego e é alvo de críticas no AC Trump admitiu a jornalista que sabia da gravidade da Covid-19, mas decidiu minimizar os riscos ao público OMS diz que vacinação ampla da população só deve ocorrer em 2022

O desenvolvimento econômico brasileiro está voltado principalmente para as atividades agrícolas, cenário que contribui para o Brasil ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. De acordo com oCenso Agropecuário 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2006 e 2017 o País registrou um aumento de 20% no número de propriedades rurais que utilizam os produtos químicos.

Entre 2007 e 2017, foram registrados 29.472 casos de intoxicações acidentais por agrotóxicos no Brasil – Foto: Pixabay

Estadão - Vem pensar com a gente