Notícia

LabNetwork

Bactérias associadas a insetos influenciam no controle de pragas agrícolas

Publicado em 16 agosto 2018

Bactérias que vivem no trato digestivo da lagarta Spodoptera frugiperda são capazes de metabolizar inseticidas e protegê-la dessas substâncias. Essa habilidade afeta a eficiência dos pesticidas usados no controle dessa espécie de lagarta, que é a mais devastadora das lavouras de milho.

As bactérias intestinais desintoxicam as lagartas após o contato com os inseticidas pelo mecanismo de bioacumulação. “A descoberta da existência dessas bactérias e do mecanismo pelo qual elas limitam a ação dos pesticidas tem implicações importantes para as estratégias de manejo de pragas”, diz o pesquisador Luís Gustavo de Almeida, que desenvolveu o trabalho no doutorado em Entomologia na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

Segundo o pesquisador, esses microrganismos podem ser explorados biotecnologicamente para aplicação em biorremediação – um tipo de processo no qual organismos vivos são utilizados para reduzir, remover ou remediar contaminações no ambiente.

Formiga cortadeira

Na tese, Almeida também relata a descoberta de uma grande diversidade de metabólitos produzidos por bactérias cultiváveis associadas à formiga cortadeira Acromyrmex coronatus, bem como o potencial destas substâncias para a descoberta de compostos inseticidas.

“Os metabólitos produzidos por essas bactérias apresentaram elevada capacidade inseticida, causando mortalidade de até 100% das lagartas de S. frugiperda. Dois desses metabólitos foram identificados e sua nova atividade biológica foi descrita”, conta Almeida.

O trabalho foi realizado sob a orientação do professor Fernando Luís Cônsoli, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq. Cônsoli é coordenador de projeto temático da Fapesp que financiou parcialmente essa pesquisa. Com informações da USP