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Aviação aposta nos biocombustíveis para reduzir emissões de carbono

Publicado em 13 setembro 2012

Por Editoria: Agricultura

Buscar uma solução para o cidadão do planeta. Foi assim que o professor Luiz Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá, definiu o objetivo de empresas e entidades de pesquisa engajados no desenvolvimento de biocombustíveis de aviação. Horta, como o professor é conhecido, apresentou as perspectivas para o setor na terça-feira (11/09), na sede da Embrapa Agroenergia, durante a cerimônia de abertura da Conferência sobre Biocombustíveis Sustentáveis para Aviação no Brasil.

O evento, que segue até amanhã (14/09), em Brasília/DF, é promovido pela Boeing, a Embraer, a Embrapa e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Presente na abertura da Conferência, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, avaliou que o País tem muito a contribuir na "longa jornada" de substituição do combustível convencional de aviação por soluções sustentáveis. O ministro disse ter "grandes expectativas"em relação às contribuições do trabalho conjunto das três comunidades envolvidas na conferência: a pesquisa agropecuária, a indústria aeronáutica e a ciência e tecnologia. "Uma vez que surjam as ideias as propostas, tenham certeza de que o Ministério estará aqui ao lado de vocês", garantiu Raupp. Em seu discurso, ele enfatizou a capacidade de empresas brasileiras promover o desenvolvimento da área, especialmente a Embraer, que qualificou como "grade player do setor de aviação", e a Embrapa. "O país alcançou níveis inimagináveis no mercado do agronegócio e a Embrapa teve papel decisivo", lembrou.

O presidente da Embrapa, Pedro Arraes, acredita na capacidade da Empresa de articular parceiras para superar os desafios tecnológicos relacionados aos biocombustíveis de aviação. "Existem muitas rotas tecnológicas, mas também muitos gargalos que precisam ser solucionados. Queremos sair daqui com um mapa estratégico de como juntar as competências para essas questões no curto e no médio prazos. A Embrapa vai apoiar fortemente para que isso se concretize", afirmou Arraes.

O tema biocombustíveis para aviação deve ser inserido no segundo Plano Diretor da Embrapa Agroenergia, disse o chefe-geral da Unidade, Manoel Teixeira Souza Júnior. "Estamos nos integrando a outros centros de pesquisa nacionais e internacionais para o desenvolvimento de tecnologias de produção, além de definição e desenvolvimento de padrões de qualidade", enfatizou.

Emissões de carbono

Internacionalmente, o setor de aviação assumiu o compromisso de, até 2050, reduzir as emissões de carbono pela metade em relação aos níveis de 2005. Para o vice-presidente da Embraer, Emilio Matsuo, o "desafio é enorme", principalmente porque a frota de aeronaves está crescendo. "O único caminho é o biocombustível", concluiu. Para o dirigente da indústria aeronáutica, o Brasil, "que já é referência em biocombustíveis para automóveis, tem agora a oportunidade de ser protagonista também no fornecimento do insumo para aviação".Segundo a Embraer, o volume de querosene de aviação utilizado no mundo é de cerca de 250 bilhões de litros por ano - dez vezes o volume de etanol produzido no Brasil.

O presidente da Fapesp, Celso Lafer, afirmou que a instituição tem tido grande preocupação com o tema e, por isso, criou, junto com a Boeing e a Embraer, o projeto de pesquisa Biocombustíveis Sustentáveis de Aviação no Brasil. A conferência iniciada ontem abriga o quinto workshop do projeto, que tem como tema "Políticas Públicas e Incentivos".

De acordo com o vice-presidente da Boeing Pesquisa e Tecnologia, Al Bryant, o bioquerosene é tecnicamente viável, seguro e aprovado para uso comercial pela ASTM (American Society for TestingandMaterials). "As empresas aéreas querem ter uma alternativa ao combustível à base de petróleo. O gargalo principal é não ter quantidade suficiente de matérias-primas e do produto. Por isso, precisamos desenvolver a cadeia de suprimentos e contar com a ajuda do governo para estabelecer políticas e incentivos para alavancar a indústria", explicou. Além disso, na opinião de Bryant, o preço precisa ser mais competitivo.

Estimativas apontam que 40% dos custos operacionais das companhias aéreas estão associados ao combustível. Nesse sentido, o professor Luís Cortez, da Universidade de Campinas (Unicamp), lembrou que os biocombustíveis são a grande maneira de reduzir as emissões de carbono, mas que "ninguém quer pagar mais por eles". Para Cortez, isso aumenta o esforço da pesquisa. "É desafio também para a nossa agricultura, que agora vai nos ajudar a construir uma indústria aeronáutica sustentável", ressaltou. O professor da Unicamp ainda lembrou a necessidade de que os combustíveis em desenvolvimento sejam drop in, ou seja, sejam compatíveis com o querosene fóssil, de modo que possa ser utilizado sem necessidade de adaptações nas aeronaves.

Qualidade

A mesma preocupação foi demonstrada pelo presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil, Walter Bartels. "Para avião, não tem acostamento. Então, precisamos de um combustível com muita qualidade", enfatizou. Ele também lembrou que o Brasil já é pioneiro em aviação sustentável. O avião agrícola Ipanema, da Embraer, já funciona com etanol.

Para Bartels, a aviação foi o setor que mais cresceu no último século, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento econômico. No Brasil, pelo segundo ano consecutivo, as vendas de passagens aéreas superaram as de ônibus nas viagens interestaduais, informou o presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz. "Não estamos mais tratando de um modal de transportes que atende apenas nichos", ressaltou. Ainda de acordo com Sanovicz, nos últimos seis anos, o preço médio das passagens aéreas caiu 48% no país. A demanda crescente vem aumentando o número e o consumo de combustível.

Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação

Como parte da conferência, a Embrapa Agroenergia promove o Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação, nesta quinta (13/09 - a partir das 13h) e sexta-feira (14/09). O objetivo é discutir o estado da arte e os desafios relacionados ao futuro. Serão debatidos os processos e tecnologias; o ponto de vista de fabricantes de aviões e agências reguladoras; os desafios técnico-científicos; e a sustentabilidade sócio-econômico-ambiental.

A programação completa do evento está disponível no site da Embrapa Agroenergia (www.embrapa.br/cnpae). No mesmo endereço eletrônico é possível obter a ficha e as informações para inscrição.

Fonte: Embrapa Agroenergia