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AVC: como identificar, evitar e tratar

Publicado em 06 novembro 2012

Por Flávia Ghiurghi
Por Dr André Felicio, neurologista, doutor em ciências pela UNIFESP, membro da Academia Brasileira de Neurologia e clinical fellow da University of British Columbia no Canadá
 
O acidente vascular cerebral (AVC) é considerado a principal causa de morte no Brasil. A expectativa é de que, em 2015, teremos 18 milhões de casos novos de AVC e, em 2030, as ocorrências cheguem a 23 milhões. No Brasil, o AVC faz cerca de 100 mil vítimas por ano, podendo também causar sequelas graves que atingem aproximadamente 50% dos sobreviventes.
 
Os idosos são mais propensos a ter AVC, especialmente os homens, apesar de a frequência ser maior nas mulheres, já que elas vivem mais. Já os indivíduos de etnia negra, por terem, normalmente, a pressão arterial mais elevada, possuem maiores chances de adquirir um AVC em relação aos caucasianos. Apesar destes conceitos, fatores externos são muito importantes na fisiopatologia da doença. Como exemplo, citamos os seguintes: 1-hipertensão arterial, 2-tabagismo, 3-diabetes, 4-dislipidemia (colesterol e triglicerides elevados), entre outros. Fatores genéticos também podem estar associados ao AVC, apesar de ser mais incomum.
 
O AVC pode se manifestar, principalmente, de duas maneiras: 1-um déficit neurológico agudo caracterizado por perda da fala, da sensibilidade e/ou força de um lado do corpo, da visão (campo visual), da coordenação motora para caminhar OU 2-perda súbita e mantida da consciência, normalmente com alteração dos movimentos dos olhos e pupila, além de alterações respiratórias. Entretanto, a grande pista ou dica para pensar em AVC é o surgimento abrupto dos sintomas, como os relatados anteriormente, que se instalam em segundos ou minutos e podem ou não piorar ao longo dos minutos.
 
Basicamente, existem dois mecanismos que desencadeiam o AVC. O primeiro e mais comum é conhecido por AVC isquêmico, quando há alguma interrupção no fluxo de sangue de alguma artéria cerebral, levando a uma isquemia (falta de oxigênio) e consequente morte de células nervosas (neurônios). Este tipo de AVC tem relação com a idade, que costuma ocorrer entre os 60 e 80 anos. O AVC em jovens (<45 anos), ainda que incomum, também pode ocorrer e merece uma busca de causas como doenças autoimunes, cardíacas ou infecções.
 
O tipo de déficit neurológico causado pela doença será conforme a localização do AVC no cérebro. Por exemplo, um AVC extenso do lado esquerdo do cérebro, normalmente, leva à perda da fala com alteração de força e sensibilidade do lado direito do corpo. Por outro lado, um AVC na parte posterior direita do cérebro pode levar a apenas um defeito no campo visual do lado esquerdo, sem fraqueza, sem alteração de sensibilidade e de fala.
 
A segunda causa principal de AVC é a hemorragia, sendo que há dois tipos de AVC hemorrágicos: aqueles secundários ao rompimento espontâneo de uma artéria em uma região específica do cérebro (hemorragia intraparenquimatosa) e aqueles secundários a ruptura de um aneurisma cerebral (hemorragia subaracnoidea).
 
Hoje, o tratamento do AVC é muito diferente se comparado à forma como era feito antigamente, quando a conduta era mais conservadora e se cuidava apenas das sequelas. Atualmente, há possibilidade de atuar na fase aguda do AVC, com uso de medicação para dissolver o coágulo pela veia ou diretamente na artéria, injetando por cateterismo.
 
A principal forma de prevenir o AVC é controlar a pressão arterial e ter hábitos de vida saudáveis: praticar atividade física regular, evitar cigarro, álcool e outras drogas, além de controlar o peso. Isso é o que chamamos de prevenção primária, ou seja, quando se evita a doença antes que ela se manifeste.
 
Dr André Felicio é neurologista, doutor em ciências pela UNIFESP, membro da Academia Brasileira de Neurologia e clinical fellow da University of British Columbia no Canadá.
 
- Graduação em Medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Minas Gerais (1997 a 2002);
 
- Bolsas de iniciação científicas obtidas junto ao Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq, 2003) e Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG, 2004 e 2005);
 
- Residência médica em Neurologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo (2003 a 2006);
 
- Título de Especialista em Neurologia obtido junto à Academia Brasileira de Neurologia (ABN, 2006);
 
- Membro efetivo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN, desde 2007);
 
- Doutor em Ciências (Área de Concentração em Neurologia) obtido junto à Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo (2007 a 2011);
 
- Bolsa de doutorado obtida junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP, 2007 a 2011);
 
- 70 artigos científicos publicados em revistas internacionais e nacionais na área de Neurologia;
 
- Clinical and Research Fellowship realizado na University of British Columbia, Vancouver, Canada (UBC, 2011 a 2012).