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Revista da Semana

Avanços no Alzheimer

Publicado em 20 novembro 2008

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e de três universidades alemãs acaba de relacionar o mal de Alzheimer a uma área do cérebro que até agora não era tida como crucial para o desenvolvimento da doença. Os brasileiros identificaram sintomas iniciais de uma das lesões mais características da doença (os chamados emaranhados neurofibrilares) numa área do tronco cerebral denominada núcleo dorsal da rafe, e não no córtex, o centro de processamento de informações e armazenamento da memória, região classicamente apontada como a primeira a ser afetada pelo Alzheimer. A descoberta será publicada no periódico científico Neuropathology and Applied Neurobiology. A conclusão foi baseada na autópsia do cérebro de 118 pessoas com idade média de 75 anos no momento da morte. Os pesquisadores constataram lesões no núcleo dorsal da rafe em oito idosos que não apresentavam os emaranhados em nenhuma outra parte do cérebro e em todos os 80 indivíduos que já tinham ao menos um emaranhado no córtex, informa a revista Pesquisa, da Fapesp. "Até esse novo trabalho dos brasileiros e alemães ninguém que trabalhava com Alzheimer olhava para o tronco", diz o bioquímico Sérgio Teixeira Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

"Se conseguirmos atrasar em dez anos o aparecimento dos sintomas clínicos da doença, isso equivalerá para muitos idosos a praticamente não ter a doença", afirma o neurologista Ricardo Nitrini, da FMUSP, um dos autores do trabalho. O Alzheimer é uma doença degenerativa e progressiva. Ataca em geral o sistema nervoso de pessoas com mais de 60 anos. Ainda sem cura e de origem misteriosa, ele provoca inicialmente perda de memória para depois atacar outras funções cognitivas. Os primeiros sintomas da doença incluem episódios de amnésia ou até mesmo alterações de personalidade.