Notícia

Jornal da Unesp

Avanço na conexão em rede

Publicado em 01 março 2015

O Brasil registrou uma participação significativa na Supercomputing Conference (Conferência de Supercomputação), promovida entre 16 e 21 de novembro de 2014, na cidade norte-americana de New Orleans. Durante o evento, um grupo internacional coordenado pelo California Institute of Technology (Caltech) instalou uma rede ótica em anel baseada em conceitos de Rede Definida por Software (SDN, da sigla em inglês). O experimento atingiu taxas de transmissão de dados de 1,4 terabit (1.400 gigabits) por segundo, um resultado bastante significativo nessa área.

Do lado brasileiro, a iniciativa reuniu o Núcleo de Computação Científica (NCC) da Unesp, a Unicamp, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Rede ANSP (Academic Network of São Paulo) e a empresa Padtec. O NCC utilizou ainda o evento para testar sua conectividade com os Estados Unidos. (Veja quadro.)

A rede montada envolveu três estandes: do Caltech, do Centro Internacional para Pesquisa da Internet Avançada (iCAIR, da sigla em inglês) da Northwestern University e da Vanderbilt University. De acordo com Rogério Iope, engenheiro de sistemas do NCC, a interconexão dos três estandes por meio de fibras óticas e o uso da tecnologia de multiplexação por divisão de comprimento de onda (WDM, da sigla em inglês) permitiram a formação de múltiplos canais óticos, cada um com capacidade de transmissão de 100 Gbits/s. “A somatória das transferências simultâneas de dados que ocorreram dentro desse anel durante o experimento levou à marca de 1,4 terabit por segundo”, esclarece Iope.

PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA

Os engenheiros do Caltech desenvolveram plug-ins – programas que se encaixam a um programa principal para lhe fornecer mais recursos – para comunicação com o controlador OpenDayLight (que implementa o conceito de SDN), que permitiram o gerenciamento das transferências de dados e o monitoramento de tráfego.

Principal empresa de infraestrutura de comunicações ópticas da América Latina, a brasileira Padtec forneceu equipamentos óticos denominados ROADM (Reconfigurable Optical Adddrop Multiplexer), capazes de controlar múltiplos canais de 100 Gbits/s por meio dos três enlaces do anel ótico, que permitiram transferências de dados entre servidores instalados em cada um dos três estandes.

Os três nós da rede foram controlados através de uma Interface de Programação de Aplicações (API), capaz de gerenciar o controle direcional de cada canal disponível no anel. A API, desenvolvida pela Padtec com apoio de engenheiros da Unesp e da Unicamp, permite que um controlador externo seja usado para reconfigurar a topologia de rede conforme a demanda de tráfego.

O time da Unicamp desenvolveu ainda um plug-in para o controlador OpenDaylight, também usando a API desenvolvida pela Padtec, para permitir o controle dos ROADMs da Padtec usando conceitos de SDN.

O time de desenvolvimento do NCC, que tem como diretorcientífico o professor Sérgio Novaes do Instituto de Física Teórica da Unesp, auxiliou na montagem, configuração e execução do experimento, por meio da atuação de Iope, Beraldo Leal e Gabriel Winckler, que estiveram em New Orleans, além de Eduardo Bach e Márcio Costa, que trabalharam em São Paulo. Leal colaborou no desenvolvimento do plug-in da Padtec e desenvolveu um sistema de monitoramento de tráfego dos ROADMs usando a API desenvolvida pela Padtec.

Em 2015 a participação da Unesp deverá ser ainda mais marcante, pois durante o SC14 foi iniciada discussão sobre a possibilidade de se construir um estande compartilhado entre Caltech, Fermilab e a Universidade.

Mais informações sobre a conferência estão disponíveis em <http://supercomputing. caltech.edu/>.

Núcleo tem novo canal de comunicação com a rede ANSP

A Supercomputing Conference 2014 também serviu para o Núcleo de Computação da Unesp fazer a demonstração de sua nova conectividade com a rede ANSP. “Alguns dias antes da Conferência completamos a implantação de nosso novo canal de comunicação direto com a Rede Acadêmica de São Paulo (ANSP)”, afirma Rogério Iope.

Segundo o engenheiro de sistemas do NCC, essa é a primeira conexão de uma universidade brasileira com seu provedor com largura de banda de 100 Gbits/s. A novidade é resultado de um trabalho conjunto do NCC, do Grupo de Rede de Computadores (GRC) da Reitoria (coordenado por Carlos Coletti) e da Rede ANSP. Iope informa que, no evento, a equipe do Núcleo realizou testes com essa nova capacidade e obteve taxas de transferência sustentadas de 25 Gbits/s. “Não conseguimos um fluxo maior de dados devido à limitação da conexão São Paulo/Miami”, acentua. O engenheiro de sistemas adverte que essa ampliação foi necessária para que os computadores do São Paulo Research and Analysis Center (SPRACE), projeto financiado pela Fapesp, mantenham seu alto desempenho dentro da rede mundial ligada ao Grande Colisor de Hádrons (LHC) do CERN, ajudando a processar a imensa quantidade de dados gerada pelo maior acelerador de partículas do mundo. “Em abril, o LHC vai iniciar uma nova fase, gerando muito mais dados, que precisam ser distribuídos pelos centros computacionais a ele vinculados”, comenta Iope