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Avanço do conhecimento para preservar a biodiversidade

Publicado em 17 março 2011

(AE) - O Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo, conhecido como Programa Biota/Fapesp, é um exemplo de como produzir ciência básica e ao mesmo tempo aplicada, com alto impacto na vida econômica e da população paulista. O programa acaba de lançar mais uma nova chamada de pesquisas - agora para estudar a biodiversidade de microrganismos - e mostra sua vitalidade depois de mais de 10 anos de atuação.

Desde março de 1999, quando foi lançado oficialmente, o Biota financiou mais de 94 projetos de pesquisa, que descreveram mais de 1,8 mil novas espécies e levantaram informações sobre outras 12 mil. E os números não param por aí: foram treinados mais de 500 alunos, mestres, doutores e pós-doutores. As publicações em revistas científicas do Brasil e do exterior superaram a marca de 750 artigos, além de 16 livros e dois atlas

O programa, em síntese, combina o avanço do conhecimento em biodiversidade com a formação de especialistas e o aperfeiçoamento de políticas públicas e privadas. O fato de ser um projeto tocado e coordenado por cientistas com objetivos de longo prazo não impediu que tivesse impacto imediato na vida da população. O Biota influenciou diretamente a elaboração de diversas políticas públicas para o Estado de São Paulo.

Segundo seu coordenador, o professor da Unicamp, Carlos Alfredo Joly, quatro decretos e 11 resoluções estaduais citam textualmente o programa como fonte de seu embasamento.

Um impacto fundamental do programa tem sido o estímulo ao uso sustentável da biodiversidade paulista: umas das suas contribuições foram a identificação e mapeamento das áreas prioritárias para conservação e restauração no estado. Como resultado, esses estudos deram origem ao zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro do Estado, definido conjuntamente pelas Secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura.

O carbono nos manguezais

Outro esforço de unir pesquisa e impacto sócioeconomico é uma iniciativa global para proteger manguezais e pradarias marinhas por meio de crédito de carbono, chamada de "blue carbón", ou carbono azul Capitaneada por ONGs, como a Conservation Internacional, e organizações de pesquisa, como a Intergovernmental Oceanographic Commission, a iniciativa quer desenvolver um modelo similar ao do REDD (Reduce Emissions for Deforestation and Degradation), ou Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação. O REDD tem como propósito criar valor econômico para a floresta em pé, a fim de evitar o desmatamento, ou seja, recompensar o chamado desmatamento evitado. As plantas dos ambientes costeiros também absorvem grandes quantidades de gases de efeito estufa e esses ecossistemas detêm um grande estoque de carbono. Os oceanos em geral são responsáveis por absorver 25% das emissões globais de GEEs, sendo que 15% são utilizados para o crescimento das plantas presentes nos manguezais e pradarias marinhas. Ao mesmo tempo, esses ecossistemas estão fortemente ameaçados. Entre 1980 e 2005, quase 35 mil quilômetros quadrados de manguezais foram destruídos para o uso agrícola, para a aquicultura ou para a construção de empreendimentos turísticos. O conceito do "blue carbon" busca contabilizar esse estoque de carbono de forma a gerar créditos para quem evita sua destruição, assim como no REDD.