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Avanço difícil na pesquisa em primatologia

Publicado em 31 agosto 2007

Por Liliane Nogueira, Agência FAPESP

Em balanço do Congresso Brasileiro de Primatologia, presidente da SBPr fala sobre o avanço no conhecimento na área nas últimas duas décadas e sobre problemas persistentes, como a descontinuidade de investimentos em pesquisa


Os organizadores do 12º Congresso Brasileiro de Primatologia, realizado na semana passada em Belo Horizonte, consideram o encontro um sucesso.

Cerca de 600 pesquisadores brasileiros e estrangeiros e estudantes interessados na pesquisa de primatologia neotropical estiveram reunidos nos cinco dias do evento, realizado na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr), com o tema "Prioridades de pesquisa para o estudo de primatas neotropicais", o congresso teve como temas mais abordados ecologia e comportamento.

Entre as 111 espécies de primatas neotropicais conhecidas no Brasil, 78 foram abordadas em mesas-redondas, palestras e outras reuniões.

O presidente da SBPr e coordenador-geral do evento, Fabiano Rodrigues de Melo, destacou a importância do Congresso para a comunidade de primatólogos.

Milton Thiago de Mello, um dos pioneiros da primatologia no Brasil, que, além de ser um dos fundadores da SBPr foi o coordenador do primeiro congresso, estava bastante entusiasmado com o porte do evento, bem diferente do realizado há 24 anos.

"Não havia público nem palestrante e muito menos recursos financeiros quando resolvemos fazer o primeiro congresso, em 1983", lembrou.

"Há cerca de duas décadas, a pesquisa com primatas neotropicais realizada no Brasil era pontual. Foi a partir do primeiro congresso, organizado pela recém-criada SBPr, que a pesquisa em primatologia passou a ser sistêmica", destacou Rodrigues de Melo.

O presidente da SBPr lembra que, como na maioria dos países em desenvolvimento, o Brasil também tem suas espécies estudadas por pesquisadores e instituições estrangeiras.

Para ele, esse fator tem se mostrado positivo na pesquisa com os primatas neotropicais.

"Nos últimos anos, formamos um time de pesquisadores de ponta que estão formando grupos importantes, inclusive com a participação de equipes ou de instituições de fora do país", disse à "Agência Fapesp".

Mas, segundo ele, mesmo com essa renovação é preciso ressaltar que muitas dificuldades ainda não foram superadas, como a falta de recursos financeiros, a descontinuidade de investimentos na área e a concentração dos trabalhos na região Sudeste.

"Muitas vezes, perdemos dados importantes devido a lacunas financeiras que chegam a interromper processos de pesquisa", disse.

O presidente da SBPr também comentou o direcionamento nos recursos para a pesquisa de primatas.

"A maior parte vai para trabalhos na área de saúde humana, que usam primatas nos testes para procedimentos ou medicamentos destinados aos humanos. Em seguida, vêm as pesquisas comportamentais e as realizadas com as espécies em extinção", afirmou.

Segundo Rodrigues de Melo, entre os maiores desafios está a dificuldade de obtenção de recursos para pesquisar o conhecimento mais elementar sobre muitas das espécies da diversidade brasileira que ainda não foram estudadas.

"Temos muitas dúvidas sobre a localização de várias espécies, especialmente na Amazônia. Se não tivermos informações básicas sobre a localização e os hábitos, não teremos como saber também se estão em ameaça de extinção", disse.

(Agência Fapesp, 31/7)