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Autópsias mostram que Covid-19 também causa morte por insuficiência cardíaca, aponta pesquisador

Publicado em 16 julho 2020

Um projeto de pesquisa realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) aponta que a insuficiência cardíaca estava entre a causa de morte de pacientes atendidos em São Paulo. As conclusões foram obtidas após autópsias realizadas nos últimos quatro meses em cerca de 70 pacientes que morreram de Covid-19 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).

De acordo com a Fapesp, agora os pesquisadores “dedicam-se agora a tentar desvendar qual o mecanismo de ação do SARS-CoV-2 que provoca, além de lesões epiteliais em praticamente todos os órgãos, alterações na micro e macrocirculação”.

“Já sabemos como o vírus se distribui por órgãos como o cérebro e os rins, além das glândulas salivares e gônadas, por exemplo, e que ele chega ao sistema nervoso central por meio do nervo olfatório. Queremos saber, agora, como o vírus causa trombos na micro e macrocirculação de forma muito mais exuberante que a do vírus da influenza, por exemplo”, disse Paulo Saldiva, um dos coordenadores do projeto, à agência Fapesp.

As conclusões foram apresentadas durante a “Mini Reunião Anual Virtual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)”, evento que substitui a 72ª Reunião Anual da entidade. Ela estava programada para o período entre 12 e 18 de julho, mas foi cancelada por causa da pandemia.

Crianças e adolescentes

Saldiva afirma que também havia crianças, com idade de 8 e 11 anos, entre os pacientes diagnosticados com COVID-19 e autopsiados que morreram em decorrência de alterações cardiovasculares causadas pelo novo coronavírus.

“Eles tinham pulmões razoavelmente preservados, mas desenvolveram uma insuficiência cardíaca muito intensa que levou ao óbito”, diz.

Em alguns casos, os pesquisadores identificaram a presença do vírus no músculo cardíaco – o miocárdio. Em outros, observaram trombose na microcirculação tanto pulmonar como cardíaca.

“Queremos entender as causas dessa situação para poder ajudar e intervir mais rapidamente no tratamento desses pacientes. Esse é um dos propósitos do projeto”, afirma o pesquisador. (G1)