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Autaza Tecnologia quer ser referência em inspeção da qualidade

Publicado em 02 outubro 2018

A Autaza Tecnologia iniciou seu desenvolvimento no Centro de Competência em Manufatura do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Criada em 2016, a empresa de São José dos Campos está abrindo um escritório em Detroit, nos Estados Unidos, tem clientes globais nos setores automotivo e aeronáutico e um faturamento que duplica todo ano.

“A nossa meta é, em 2022, ser líder no Brasil e referência em inspeção inteligente da qualidade nos Estados Unidos e Alemanha”, diz Renan Padovani, sócio da empresa que conta com o apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.

Essa trajetória começou com um projeto de pesquisa e desenvolvimento que aproximou a General Motors (GM), em São Caetano do Sul, e o ITA, e resultou no protótipo funcional de um sistema que utiliza visão computacional e inteligência artificial para detectar defeitos na superfície da carroceria de veículos. A nova tecnologia é alternativa ao método de inspeção visual utilizado atualmente por grande parte das montadoras, que exige um inspetor treinado para identificar e fazer a classificação dos defeitos.

Os bons resultados do sistema automático de inspeção de qualidade e a disposição da GM de permitir o uso da propriedade intelectual do novo sistema estimularam os três pesquisadores responsáveis pelo projeto no ITA a constituírem a empresa e levar a tecnologia para o mercado. “A própria GM adotou o projeto ainda em fase embrionária e testou a tecnologia em sua linha de produção”, conta Padovani.

Seis meses depois de a tecnologia ter sido testada pela GM de São Caetano do Sul, a montadora passou a utilizá-la também nas fábricas dos Estados Unidos e da Alemanha, onde produzia a marca Opel – a fábrica alemã foi vendida em 2017 para a Peugeot e o BNP Paribas, mas segue cliente da Autaza.

Enquanto desenvolviam o primeiro protótipo para a GM, os três sócios enxergaram também a oportunidade de utilizar a tecnologia de inteligência artificial para avaliar, por exemplo, defeitos na pintura de outros tipos de materiais como, por exemplo, os compósitos utilizados pela indústria aeronáutica. “Isso abriu um outro mercado e trouxe clientes do porte da Embraer”, conta Padovani.

Com o apoio da FAPESP, a empresa pretende adquirir computadores de alto desempenho que permitirão reduzir o tempo de inspeção da carroceria e ganhar competitividade em relação aos sistemas tradicionais, que inspecionam um carro da linha de montagem a cada um minuto. “A ideia é reduzir o tempo da inspeção automática dos atuais dois minutos para 45 segundos”, ele adianta.

Esse ganho será possível, ele acrescenta, porque a Autaza pretende introduzir uma célula robótica no processo de inspeção. Depois de testada na empresa, uma célula robótica idêntica será instalada na GM. “Não serão somente robôs convencionais, mas também colaborativos, que interagem com o trabalho humano, que são o cerne da indústria 4.0.”

Claudia Izique | Pesquisa para Inovação