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Correio Popular (Campinas, SP) online

Ausência de informações compromete as pesquisas

Publicado em 22 abril 2007

Os estudos de cenários agrícolas futuros para o Estado de São Paulo estão comprometidos por falta de dados meteorológicos e climáticos. Segundo os pesquisadores Hilton Silveira Pinto e Eduardo Assad, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) proíbe o acesso aos dados para os trabalhos de pesquisa em desenvolvimento nas duas instituições. Os pesquisadores disseram que por causa deste comportamento institucional, os trabalhos envolvendo mudanças climáticas e cenários agrícolas no Estado estão significativamente prejudicados se comparados com os trabalhos para outros estados onde os dados são livres. A direção do IAC, no entanto, nega que haja restrição ao acesso às informações dos dados puros.
A falta de acesso às informações já havia sido denunciada em relação ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). "São instituições públicas que tratam as informações como se fossem privadas", disse Silveira Pinto.
No caso do IAC, afirmou, "a liberação de dados para alunos de graduação ou de pós-graduação é feita de maneira discriminatória, selecionando-se quem deve e quem não deve ser atendido. Há casos de cobranças financeiras exageradas pelos dados ou mesmo de exigência de parceria obrigatória em trabalho científico".
O diretor associado do Cepagri disse que, em 2004, a Fapesp aprovou recursos da ordem de R$ 5 milhões para a implantação da primeira fase do Sistema de Hidrometeorologia do Estado de São Paulo (Sihesp), contemplando a Universidade de São paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o IAC com recursos para equipamentos. Especificamente no caso da Rede Meteorológica de Superfície, a proposta, segundo Silveira Pinto, foi justificada pelo IAC como uma atividade para melhor atendimento a alunos, professores e pesquisados, tendo sido atendida com auxílio financeiro da ordem de R$ 700 mil.
"Apesar disso, o IAC proíbe o acesso aos dados meteorológicos e climatológicos para nossos trabalho de pesquisa", criticou.
O diretor-geral do IAC, Orlando Melo de Castro, negou que a instituição restrinja acesso aos dados. Segundo ele, as instituições sempre tiveram bom relacionamento até que há quatro anos houve o rompimento porque nas pesquisas não estava sendo dado o crédito ao IAC pelas informações. "Passamos a exigir que, para ter acesso aos dados, precisaríamos de um convênio com a Unicamp e a Embrapa Informática estabelecendo as regras, mas eles não aceitam formalizar o convênio", disse. Castro afirmou que o IAC tem convênio com USP, Unesp e várias outras instituições e está em via de formalizar também com a Cetesb, que usará os dados originais.
O diretor do IAC negou que haja cobrança para o fornecimento dos dados. "Nunca cobramos nada. Nossos dados são livres para pesquisa. As instituições têm uma senha para acesso aos dados. Só queremos um convênio definindo as normas para o uso dos dados", disse.