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Jornal do Estado (PR) online

Aumento nas picadas

Publicado em 18 abril 2007

Por Thiago Romero

Cresce o número de acidentes com aranhas 

Agência FAPESP — De 2001 a 2005, os acidentes com picadas de aranhas aumentaram 350% no Estado do Rio de Janeiro, passando de 46 para 207 casos registrados por ano. Os números estão em pesquisa coordenada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O trabalho, que teve o objetivo de acompanhar a evolução dos acidentes com animais peçonhentos no estado, utilizou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde.

"Consideramos apenas animais de importância médica, ou seja, espécies que podem gerar acidentes graves, como a aranha-marrom (Loxosceles intermedia) ou a aranha-armadeira (Phoneutria nigriventer)", disse a coordenadora do trabalho, Rosany Bochner, à Agência FAPESP.

Segundo a pesquisadora, a maior parte das aranhas encontradas no país não tem importância médica. "Muitas vivem em residências próximas ao homem, sem nenhum perigo para a saúde da população", afirmou.

Um crescimento na freqüência dos acidentes com escorpiões e serpentes também foi observado no estudo. Os acidentes com escorpiões passaram de 114 notificações, em 2001, para 272, em 2005, com um aumento de 139%. Entre as serpentes, o número de casos pulou de 406 para 584 no período (aumento de 44%).

"Mesmo com o aumento expressivo dos acidentes com aranhas, as serpentes permanecem na liderança em números absolutos, sendo responsáveis por mais da metade dos acidentes com animais peçonhentos no Rio de Janeiro", explicou Rosany. Em seguida vêm os escorpiões, que causam um em cada quatro acidentes entre os peçonhentos, e as aranhas.

Em contrapartida, os acidentes com serpentes diminuíram em termos de participação percentual, passando de 72%, em 2001, para 55%, em 2005. Os acidentes com escorpiões passaram de 20%, em 2001, para 26%, em 2005, e com aranhas de 8% para 19%, no mesmo período.

Explicações possíveis

Rosany Bochner aponta algumas hipóteses que podem explicar esse cenário. "Uma delas é a melhoria na qualidade das notificações de casos por parte do Ministério da Saúde, que pode ter contribuído para o registro de acidentes com animais peçonhentos", disse.

Mudanças ambientais, decorrentes da urbanização desordenada e do desflorestamento, também podem estar selecionando espécies de escorpiões e aranhas, de modo a ampliar populações de animais que causam acidentes.

"Apesar de as cobras historicamente sempre terem liderado a lista dos acidentes em todo o país, a partir de 2004 esse quadro se inverteu completamente. Hoje, há muito mais notificações de escorpiões do que de serpentes no Brasil", afirmou.

Para Rosany, o escorpião amarelo (Tityus serrulatus) é um dos grandes responsáveis pela maior parte desses acidentes no estado. A espécie vive próxima ao homem por se alimentar de insetos presentes no lixo doméstico. "Não há razões para que serpentes, por exemplo, tenham que viver tão próximas do homem", disse.

O estudo Perfil dos acidentes por animais peçonhentos no Estado do Rio de Janeiro no período de 2001 a 2005, que contou com a participação de pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), do Instituto Vital Brazil e da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, foi um dos trabalhos premiados no 43º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, que ocorreu em março na cidade de Campos do Jordão (SP).