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Aumento do nível do mar vai exigir obras de até R$ 1,5 bi em SP, diz estudo

Publicado em 20 março 2019

A elevação do nível dos oceanos poderá exceder 1,6 metro até o fim do século, com consequências desastrosas, especialmente para as populações costeiras. Além de medidas para a redução de emissões de gases de efeito estufa a serem adotadas pelos países, os cidadãos precisam para a mudança de hábitos e para pressionar os tomadores de decisão para evitar um cenário catastrófico.

A avaliação foi feita por pesquisadores que participaram do primeiro episódio do programa Ciência Aberta, em 2019, lançado no dia 19 de março, com o tema “os Oceanos estão Ameaçadas”. A iniciativa é uma parceria entre a FAPESP com a Folha de S. Paulo.

“São necessárias políticas de Estado, o que não significa que as políticas do governo. Ele precisa ser algo duradouro, por décadas”, disse Michel Michaelovitch de Mahiques, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP).

Participaram do programa Ilana wainer, professora do Departamento de Oceanografia Física do IO-USP e membro do comitê gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera, e Cristiano Mazur Chiessi, professor na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (each) da USP e líder do subgrupo Paleoclima do Núcleo de Apoio à Pesquisa – alterações Climáticas (Tilt).

Chiessi lembrou que a cidade de Santos foi um dos primeiros a estabelecer um plano a longo prazo para a luta contra as alterações climáticas. A iniciativa foi parte de um projeto com o apoio da FAPESP.

“Não foi algo feito apenas por pesquisadores, mas em conjunto com o governo e com a sociedade civil. O plano ainda não foi colocada em prática, é muito recente. Mas, se está, efetivamente, gerar condições um pouco menos difícil para as populações afetadas pela subida do nível do mar e outros problemas associados com a mudança climática dos oceanos”, disse o pesquisador (leia mais sobre o assunto: http://agencia.fapesp.br/22357).

O estudo concluiu que o custo mínimo com obras na região da Ponta da Praia em Santos e no Noroeste, são os mais afetados pelo aumento do nível do mar no município, seria em torno de R$ 300 milhões. Não se adaptar às mudanças climáticas, por outro lado, pode custar até R$ 1,5 bilhões (leia: http://agencia.fapesp.br/25976).

Os pesquisadores ressaltaram que a elevação do nível dos oceanos já ocorreu em outros períodos na Terra, mas não em uma velocidade tão alta como agora.

“A taxa em que este aumento está ocorrendo é muito rápida. Desde 1993, o aumento é de 3,1 milímetros (mm) por ano. Em 1900, era de 1,7 a 2 mm por ano. A partir de um certo ponto, o aumento começou a ser exponencial. Alterações [climáticas] sempre existiu, mas agora estamos a alimentar o sistema com as emissões de gases de efeito [effect] com efeito de estufa”, disse wainer.

O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em 2013, apontou que a taxa de elevação do mar seria de 8 a 16 mm por ano, até o final do século, muito maior que 3,2 mm por ano, observados atualmente. Para o ano de 2100, portanto, o nível dos mares subir entre 50 centímetros e 1 metro.

“É importante mencionar que, quando o quinto relatório do IPCC foi fechado, o entendimento e a representação do derretimento das calotas polares foram extremamente bruto”, disse Chiessi.

Os novos modelos, explicou ele, prever um aumento ainda maior, chegando a 1,6 metro de elevação até 2100, tendo em conta o derretimento das calotas polares. Estudos recentes, o que será abordado no próximo relatório do IPCC, indicam valores são mais caros do que os 1,6 metro de elevação para o fim do século.

Sintonia com a atmosfera

Os oceanos têm um papel fundamental na regulação do clima do planeta, ao redistribuir o calor que chega em excesso na região tropical para as regiões polares, enquanto que, ao mesmo tempo, tomar o frio dos pólos aos trópicos.

“Os oceanos, junto com a atmosfera, funcionar como um aparelho de ar condicionado do planeta, levando o calor para as regiões frias e frio para onde é muito quente”, disse wainer.

Chiessi explicou que a transferência de energia na forma de calor a partir do Atlântico Sul e do Atlântico Norte anual é da ordem de 0,4 petawatt, o equivalente ao que é produzido por mais de 285 mil usinas hidrelétricas de Itaipu. “Este grande movimento no Atlântico é marcantemente ameaçada”, disse ele.

“Quando há o derretimento das geleiras, há uma contribuição de água doce no mar. Desta forma, não se pode formar esta águas profundas e densas necessário para o movimento continuar se movendo. Como resultado, o mar acaba sendo menos eficiente na redistribuição de calor”, explicou wainer.

A consciência e a tecnologia

Para os pesquisadores, prima a tecla de tomadores de decisão é fundamental para evitar um cenário catastrófico. Além de reduzir o consumo de plástico, o que afeta os ecossistemas marinhos e, inevitavelmente, vem aos seres humanos através do consumo de peixes e frutos do mar, é fundamental para diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

“Obviamente, ninguém vai abandonar os carros, parar o transporte aéreo e marítimo da noite para o dia. Não é isso. Mas há dois pontos importantes. Um é a consciência, individual e coletiva, de que é necessário um maior respeito para os oceanos e para o planeta. E a outra é usar a tecnologia a nosso favor. Escolha o meio de transporte menos poluentes, por exemplo. Há várias coisas que podem ser feitas, mas para evitar que, pelo menos para diminuir a taxa de crescimento [de emissões]. Temos que ter consciência de que só temos este planeta [e por isso] temos que cuidar melhor dele”, disse Mahiques.

O novo episódio da Ciência Aberta, “Oceanos Ameaçados”, pode ser visto em: www.fapesp.br/ciencia-aberta.

Confira também os programas anteriores, que abrangem temas como a obesidade, a contribuição das mulheres para o avanço da ciência, a depressão em jovens e adolescentes e os novos desafios das cidades.